João em comentário no blog “O Meu Quintal”

“Vocês trabalham e eu monitorizo.
É o séc XXI!
Li algures há uns tempos um artigo sobre a necessidade imperiosa que tantos professores sentem de estarem sempre a liderar. E o autor defendia que isso era mau para professores e alunos. Deixai-os trabalhar e sentai-vos ou outra coisa do género, ó professores.

O problema são as ferramentas de trabalho digitais e online que não funcionam…….mas isso também se vai resolvendo. Sentad@s!”

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O representante

Nos anos oitenta encontrei um colega de curso no Barreiro. Perguntei-lhe da experiência pedagógica. Enrolou a resposta, e por fim, lá me explicou que tinha entrado no sindicato e era representante dos professores, em full time. Parecia muito feliz, pois não precisava sair do conforto da sua casa e compunha o seu horário de forma mais ou menos flexível. A vida deu muitas voltas e nunca mais o encontrei e nem sei se o conheceria se o encontrasse.

O Que É Esmagado, Que Se Levante!

O ano lectivo inicia-se com um sinal distintivo: o Ministério da Educação aprovou cerca de 50 projectos de inovação apresentados por agrupamentos de escolas ao abrigo da Portaria 181/2019, que lhes confere a possibilidade de ampliarem a celebrada flexibilidade curricular para além dos 25% já previstos para todas as escolas. Segundo o jornal I, em Santo Tirso os alunos vão escolher as matérias e quando querem ser avaliados, em Cascais adoptaram a “Pedagogia do Amor”, algures em Braga vão desenvolver as “oito inteligências da criança” e em Torres Vedras andar de bicicleta passou a integrar o currículo. Digam-me se não é motivo para vermos António Costa aos saltinhos, num qualquer palco de comício eleitoral próximo!

Aquando da publicação da portaria supra referida, mobilizaram-se escolas, directores e professores para a cruzada da elaboração de Projetos-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), que promovessem a reorganização curricular e redefinissem o calendário lectivo e os momentos de avaliação. Apesar disso, temos apenas 50 (6%) de um total de 813 agrupamentos, com iniciativas aprovadas, o que torna legítimo admitir a existência de um fosso entre o que entendem as escolas e o que queria o ministério. Com efeito, João Costa teve desde sempre um problema existencial de conflito ente a ideologia impositiva que o norteia e as recomendações do marketing político que o assessora. Ou seja, pôr as escolas e os seus directores a fazerem o que ele quer, mantendo nas homilias públicas a abertura caridosa e conciliar do prior do “eduquês” novo. A quadratura deste círculo terá sido conseguida pelo destino dado aos projectos que lhe chegaram: aprovados os que lhe adivinharam os desejos, recusados todos os outros; recompensados os prosélitos, penalizados os que se protegeram da babilónia do esvaziamento curricular. Viva a autonomia domesticadora de quem recita o credo!

No desenvolvimento da matéria que chamou à primeira página sob as epígrafes a que me referi, o jornal I aludia a “escolas que estão a revolucionar o ensino”. Sabendo que a promoção do sucesso a qualquer título foi o factor dominante da aprovação ou rejeição dos projectos experimentais de inovação, que irá acontecer no fim do ano? Teremos 94% de escolas “fracassadas” e 6% cintilando êxitos? Não, não teremos. Outrossim, repetir-se-ão resultados ditados pelas variáveis de sempre, as mais marcantes de natureza socioeconómica e exteriores à escola. Quanto ao que a escola pode fazer, não são “revoluções” miraculosas mas políticas adequadas que importam: que limpem o sistema de burocracias impensáveis, pela estupidez e inutilidade que significam; que removam o lixo normativo e substituam formulações prolixas por linguagem simples; que tornem coerentes e praticáveis os planos de estudo e os programas disciplinares, para termos currículos adequados; que dignifiquem e humanizem a profissão docente; que estabilizem a vida pessoal e familiar dos professores; que removam os obstáculos às aprendizagens dos alunos, com meios e materiais suficientes; que resolvam a indisciplina nas escolas.

Em Pedagogia está tudo descoberto, dito e escrito. Seria de bom senso substituirmos o vocábulo inovar por alterar. Não inovamos coisa nenhuma. Alteramos. A denominada flexibilidade curricular, construída a partir de uma absurda ideologia igualitarista, promissora de uma escola sem paredes, sem portas, sem turmas, sem aulas, sem horários, sem relógios, sem campainhas, sem testes, sem reprovações, onde os alunos aprendem brincando e a felicidade jorra dos bebedouros públicos, vem transformando o sistema de ensino numa coisa desconexa onde, a breve trecho, ninguém se entenderá. Responda-se com honestidade: pode o professor da nossa escola de massas praticar o ensino individualizado para que tendem as pedagogias construtivistas? Não, não pode!

O sistema de ensino tem demasiados actores vítimas de “normose”. A “normose” oblitera a vontade própria na medida em que se caracteriza pela imposição aos indivíduos de um conjunto de normas, conceitos, estereótipos e modos de pensar que os leva a adaptarem-se a um contexto, sem o questionar. Um “normótico” age esmagado por aquilo que lhe impõem, dispensando a análise racional e desistindo do contraditório. Que desejar-lhes? O que recomendou Bertolt Brecht: que se levantem!

In “Público” de 18.9.19

Ano Letivo Arrancou “Mais Tranquilo” Mas “Há Lacunas Graves Por Resolver” — ComRegras

Falta de funcionários, horários ilegais, obras por cumprir, manuais que não chegam e os que chegam estão em mau estado e a falta de computadores e internet nas escolas são algumas das questões não resolvidas… Funcionários em falta, professores a ameaçar nova greve, obras prometidas por cumprir, manuais entregues em mau estado e um parque…

Ano Letivo Arrancou “Mais Tranquilo” Mas “Há Lacunas Graves Por Resolver” — ComRegras

Barcelos-associação “Amigos dos Sons”

O Ministério Público acusou de abuso de confiança agravado o presidente da associação “Amigos dos Sons”, anterior proprietária do Conservatório de Música de Barcelos, por alegada apropriação de cerca de 430 mil euros da instituição.

Contactado pela Lusa, o arguido, Miguel Andrade, disse que nunca causou “qualquer prejuízo” aos “Amigos dos Sons” e não possui “um cêntimo” daquela associação ou de qualquer outra. Segundo a acusação, a que a Lusa teve hoje acesso, o arguido ter-se-á apropriado, entre outubro de 2007 e março de 2011, de mais de 216 mil euros referentes às propinas pagas pelos alunos

A agenda oculta da semestralidade

Escola Portuguesa

tiagobr2.PNGPoder organizar o ano lectivo em semestres, aumentando o número de pausas lectivas e passando a ter apenas dois momentos de avaliação quantitativa, foi o engodo que levou muitas escolas e agrupamentos a elaborar e apresentar à tutela os famosos PPIP – Projectos-Piloto de Inovação Pedagógica.

Decisões ingénuas, percebe-se agora, pois a última coisa que interessa à equipa que tutela o ministério é o exercício de uma verdadeira autonomia das escolas. O que pretendem, isso sim, são escolas e, sobretudo, dirigentes escolares que cumpram, por iniciativa própria, as orientações ministeriais.

A sofisticação do discurso neo-eduquês não liga bem com a necessidade de, em matérias pedagógicas, darem ordens directas às escolas. Por isso, em vez do pau, recorrem à cenoura: ao longo destes quatro anos, foram criando um sistema de recompensas com que vão beneficiando as escolas e os directores que mais fielmente cumprem os desejos e adivinham as vontades dos…

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