A aposentação está tão atrasada que já nem sonho com ela

Quando os actos normais de gestão do dia a dia se conformam com tal azar – aposentação atrasada – resta um conformismo assente em desculpas esfarrapadas, do género: o mundo está perigoso para turistas, o teu cantinho no Algarve é tão bom que até os aposentados estrangeiros o escolhem como local da sua terceira vida.

As petições relativas à “Aposentação antecipada”, com demonstrações inequívocas do tempo de serviço que cada docente vai trabalhando a mais, ao longo da carreira  têm caído em saco roto, contam com a simpatia do primeiro ministro e antipatia da maioria dos sindicatos que considera este assunto encerrado. 


“Dos 50 aos 55 anos, a diferença passa a ser de 500 minutos e, dos 55 aos 60, é de 600 minutos. A partir dos 60, volta a ser de 500. E falta contabilizar as reduções por exercício de cargos que é igualmente significativa. Pelas minhas contas, considerando 165 dias letivos por ano (33 semanas), ao fim de 40 anos, a diferença situa-se no correspondente a 16,5 anos letivos ”    António Carvalho

férias totais
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Sandrina Coelho

Às transformações políticas, sociais e económicas com que o nosso país tem sido confrontado nos últimos anos e que se refletem no sistema educativo, alia-se a falta de condições de trabalho, a acumulação de funções, a degradação dos vencimentos e a perda de estatuto socioprofissional, na profissão docente. A ação educativa é relegada para segundo plano, pois os professores têm assistido a uma multiplicidade das suas tarefas.

Atualmente, o trabalho docente do professor do 1.º ciclo engloba:

– 25 horas letivas semanais, 5 horas letivas diárias, 8 disciplinas;

– 2 horas de componente não letiva: trabalho colaborativo, atendimento aos encarregados de educação, vigilância dos recreios, vigilância do refeitório, articulação com os professores da Educação Especial, do Apoio Educativo e técnicos diversos;

– preparação de atividades de enriquecimento curricular (AEC), com 26 alunos de várias turmas (alguns professores lecionam estas atividades);

– contagem diária do leite, pão e bolachas consumidos pelos alunos;

– contagem diária dos alunos que almoçam na escola;

– dois dias por semana veem o seu horário alargado em uma hora, devido à aula de Inglês;

– reuniões semanais após as 17 horas (é necessário aguardar pelo docente que viu o seu horário alargado);

– transmissão de informações sobre a disciplina de Inglês aos encarregados de educação que procuram esclarecer as suas dúvidas junto dos professores do 1.º ciclo. Estes têm de contactar o docente de Inglês para se inteirarem da situação e, novamente, contactar o encarregado de educação. É um vai vem de informações, esclarecimentos, dúvidas…

Fora do horário letivo é necessário preparar aulas: Matemática, Português, Estudo do Meio, Expressão Plástica, Expressão Dramática, Expressão Físico-Motora, Expressão Musical e Oferta Complementar. Aulas transversais a todas as disciplinas, com recurso às TIC (sempre que possível), motivadoras, dinâmicas, eficazes e conducentes ao sucesso educativo.

Estes docentes possuem uma cultura de escola tão enraizada que, muitas vezes, não usufruem dos seus direitos. Se as reuniões sindicais ultrapassarem o tempo estipulado para o intervalo, os docentes sentem que devem retomar as suas aulas, quando a escola pode e deve providenciar soluções para os discentes.

Evitam faltar, mesmo quando estão doentes, pois os seus alunos terão de ser distribuídos por outras salas. Receber 4 ou 5 alunos de outra turma, torna-se incomportável, quer a nível físico, quer a nível pedagógico. O sentido de responsabilidade impele-os a reunir as suas forças e ir dar aulas, pois no dia seguinte já estarão melhores e, assim, não sobrecarregam os outros professores.

Sandrina Coelho

Ensino doméstico

Quais os passos necessários para retirar uma criança da escola e iniciar o homeschooling?

Cada vez mais o ensino doméstico tem a simpatia  de muitas famílias que começam a pensar na possibilidade de educar os filhos em casa. Em Portugal a licenciatura do educador passará a ser condição essencial para o Estado conceder essa alternativa ao ensino  institucional público e privado.

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/e-se-em-vez-de-ir-a-escola-o-seu-filho-estudar-em-casa=f667878


Em 2012/2013 contavam-se 63 crianças inscritas no ensino doméstico. No ano lectivo 2017/2018, eram já 909 — um aumento de 47% só num ano. Os dados do Ministério da Educação mostram que há cada vez mais famílias que optam por esta alternativa ao ensino convencional.
Mas a lei que regulamenta esta forma de ensino está prestes a mudar. Segundo avançam o Jornal de Notícias (JN) e o Expresso este sábado, está em cima da mesa uma proposta de portaria que vai tornar mais exigentes e restritivas as regras do ensino doméstico. As alterações devem entrar em vigor no próximo ano lectivo. In Público 10 de nov

Aulas de recuperação em tempo de férias

Escola Portuguesa

ps-acores-e1544557240793.jpgA proposta de alteração ao Estatuto do Aluno surgiu no parlamento açoriano, pela mão do grupo parlamentar socialista: os professores que dêem “negativas” aos alunos devem apresentar ao Conselho de Turma um plano de recuperação de aprendizagens a desenvolver durante parte do período de interrupção lectiva. Um castigo, aparentemente, para o aluno, que vê diminuído o seu período de férias, mas também para os professores que dão notas baixas. E uma pressão nada subtil no sentido de concretizar o grande desígnio educativo do século XXI, o de passar toda a gente.

Para já a medida, aprovada pelos partidos de esquerda, parece estar a gerar estranheza e contestação, até mesmo em sectores governamentais. E é tomada ao arrepio do que julgo ser o espírito das mudanças educativas em curso, que valorizam o carácter formativo das avaliações periódicas e privilegiam o desenvolvimento de competências ao longo de um ciclo de estudos.

“Não…

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Do esmagamento burocrático

“Há documentos em que se pretende classificar com ponderações de 1-2% no valor final atitudes como empenho ou responsabilidade. Quem ache normal percentualizar a criatividade ou a autonomia. Quem, para o 1º ciclo, ache adequado classificar com 20 parâmetros o desenho de uma árvore de Natal com prendas (a sério, não estou a inventar nada…). Há mesmo o regresso – sob a geringonça – de matrizes para avaliar a rapidez e fluência da leitura num dado período de tempo, aquilo que com Crato era (e e era mesmo) tido como um autêntico disparate.” Paulo Guinote

AVALIAÇÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIFICAS COM MEDIDAS DE APOIO À APRENDIZAGEM E À INCLUSÃO

Conforme explica o Decreto-Lei n.º55/2018 de 6 de julho, no Artigo 28.º, a escala de avaliação,expressa-se de seguinte forma para os alunos com medidas universais, seletivas e adicionais – alínea a) frequência do ano de escolaridade por disciplinas:

● No 1.ºciclo do ensino básico,na atribuição de uma menção qualitativa (Fraco, Insuficiente,Suficiente, Bom e Muito Bom) acompanhada de uma apreciação descritiva em cada componente de currículo;

Os alunos com medidas universais,seletivas e adicionais – alínea a)frequência do ano de escolaridade por disciplinas a avaliação é realizada, na ficha de registo de avaliação, na plataforma do INOVAR, devendo no primeiro ciclo ser de forma descritiva e qualitativa…