Chamar à democracia “sistema” e depois ser contra o “sistema”

Sim, mas este discurso redondinho e bonito não anula o meu desespero por terem mudado as regras a meio do jogo e alterarem 6 anos da minha vida.

A Estátua de Sal

(Pacheco Pereira, in Público, 16/02/2019)

JPP Pacheco Pereira

Um dos mecanismos do discurso do crescente populismo português é apresentar-se como “anti-sistema”. É um discurso que começa na direita mais radical, passa pela extrema-direita e pela extrema-esquerda, e mergulha profundamente nas cloacas das redes sociais e dos comentários. Funciona como atestado de honestidade própria versus a ladroagem alheia, e mete no mesmo saco da cupidez toda a gente que está na mesa do café virtual ao lado, até aos confins do mundo. Apenas fica como pilar de honestidade a mesa própria em que o autor de comentários zangados com o “sistema” está sentado e, mesmo assim, quando sai alguém, fica logo fora do halo de santidade, a dois metros do epicentro da virtude.

É um discurso cada vez mais comum na comunicação social, que molda a sua actuação pelo populismo, pelas audiências e as vendas, pelo sensacionalismo e pelo justicialismo, com “procuradores”…

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Contestação à fenprof sobe de tom

Florbela Mascarenhas partilhou uma ligação.

Moderador · 10 h

Ora aí está o que referi no meu post acerca do crowdfunding e da resposta que obtive destes sindicatos.
Mantém-se a certeza de que não poderemos contar como já vem sendo hábito com uma verdadeira luta pela causa dos professores da parte da Fenprof. 
O que seria do Mário Nogueira e dos seus comparsas se todos os colegas de desvinculassem deste ninho de vespas?!!! Proponho seriamente uma desvinculação em massa.

DA FLEXIBILIDADE AO ENVELHECIMENTO PRECOCE – Luís Costa

Muito se tem falado ―embora nem sempre com as melhores intenções ― do envelhecimento da classe docente. Todavia, há um envelhecimento ainda mais dramático: o do ensino.

Custa imenso ver a Escola Pública a definhar ainda mais do que o seu “tão envelhecido” corpo docente. Se envelhecer é, mais do que os anos acumulados, sobretudo uma questão de degenerescência geral, então o que está a acontecer à nossa Escola Pública é puro e acelerado envelhecimento. Tudo está a amolecer, a esbater-se, a tornar-se mais indefinido, menos rigoroso, menos exigente… É uma espécie de progéria geral: deterioração dos conhecimentos, dos valores, das atitudes, das relações interpessoais…

Mais do que os professores, do que os funcionários e do que os próprios edifícios escolares, envelhece tragicamente a Escola Pública. Aquilo a que, eufemisticamente, chamamos flexibilidade não passa de flacidez, frouxidão, osteoporose e demência.

Blogue de Paulo Guinote bloqueado depois de críticas ao governo – Sol

https://sol.sapo.pt/artigo/646349/blogue-de-paulo-guinote-bloqueado-depois-de-criticas-ao-governo-

Minutos após esta publicação, todos os textos de Guinote no blogue desapareceram e, até ontem à hora de fecho desta edição, continuavam bloqueados, contou ao i o professor que aguarda explicações ao Facebook.

Guinote conta que esta foi a primeira vez que foi bloqueado, mas que já tinha passado por alguns momentos de tensão com ameaças anónimas.

a m/nota: Desapareceram os links no facebook com acesso ao público e não os textos.

Luís Costa – A cartilha antigrevista do governo

1- Instala a hipocrisia negocial, fazendo cedências simbólicas, mas sendo arrogantemente intransigente no que é a verdadeira substância das reivindicações. O Governo já decidiu, há muito, quem são as “ovelhas do regime”. É com o seu sacrifício que erguerá e manterá o altar orçamental.

2- Saturados da parede governamental, os servidores do Estado são obrigados a endurecer a greve. E Governo mantém a fachada social do falso apelo à negociação. Paralelamente, lança campanhas de desgaste da imagem pública da classe reivindicadora, procurando virar a opinião pública contra ela. É já um padrão do qual fazem parte notícias que, partindo de um caso particular negativo (ou vários), se faz o alastramento e a generalização da mancha.

3- Se a greve atinge um ponto culminante, o Governo “bota a mão” à Justiça e atira-a contra os grevistas. Estanca imediatamente o fluxo negativo provocado pela greve, e depois… logo se vê. Aprendeu com a greve às avaliações, no final do ano letivo transato, e replicou agora o procedimento na greve dos enfermeiros. Mais tarde, no caso dos professores, o Tribunal decidiu que o Governo tomara decisões ilegais, mas… entretanto… já tudo voltara à (a)normalidade, apesar das facadinhas na Democracia e no Direito. Veremos o que acontece com esta requisição civil dos enfermeiros.

Só é realmente muito estranho (mas muito mesmo) que estes “democracídios” sejam obra de um Governo descendente de um dos pais da nossa democracia!

Post do Paulo Guinote em O Meu Quintal que o Facebook censurou dizendo que desrespeita os padrões da comunidade

Aqui fica pela cobardia de quem denuncia usando de censura partidária ou interesses ainda mais obscuros.

Post do Paulo Guinote em O Meu Quintal que o Facebook censurou dizendo que desrespeita os padrões da comunidade: 
“A Escalada Enfermeiros/Governo
FEVEREIRO 9, 2019 ~ PAULO GUINOTE
O conflito entre os enfermeiros e o Governo assumiu uma faceta inédita entre nós nos últimos 40 anos. Com raríssimas excepções, a conflitualidade laboral foi enquadrada numa lógica herdada do marxismo, mais ou menos leninista, mas sempre com uma dose suficiente de boas maneiras e pragmatismo, mesmo quando o tom das declarações públicas parecia muito exaltado. No fundo, o esquema dicotómico com os mesmos actores e o mesmo tipo de acções dominou sempre a acção sindical, com os sindicatos a enquadrarem com punho firme qualquer tentativa de escapar à coreografia habitual, colaborando nesse aspecto com o poder político, independentemente das sucessivas inclinações políticas. Mais ou menos “radical” o nosso sindicalismo tem sido sempre convencional e conservador. Mesmo quando se afirma de linhagem revolucionária, tem horror a tudo o que perturbe a ordem dos autocarros e bandeirinhas.

O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além desta ou aquela iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros que, goste-se ou não, estão a levar a sua luta a sério, para além das conveniências dos acordos de cavalheiros de bastidores que sempre acabaram por resolver todas as disputas no passado mais ou menos recente. A exploração até aos limites da via jurídica é apenas um exemplo. Assim como a forma de se financiar uma greve entrou de forma decidida nos mecanismos disponíveis no século XXI, pois não me parece “ilegal” que qualquer cidadão se disponha a apoiar uma causa que considere justa.

Contra isso, mobilizou-se a apatia de uns e a militância de outros. A “Direita” perdeu a capacidade de apelar a qualquer tipo de espírito de “maria da fonte”, a menos que estejam em causa subsídios aos privados (na Educação ou Saúde) e a “Esquerda” revelou até que ponto define a sua aprovação política e moral das lutas laborais à conformidade com o seu guião.

É lastimável que o conflito tenha derrapado para uma campanha de maledicência pura e dura, como em outros tempos foi dirigida aos professores, com a conivência da tal “esquerda radical” que aproveitou para mostrar como ainda não desaprendeu das velhas tácticas de agit-prop. É embaraçoso ver representantes do PCP e do Bloco a dirigir críticas sem qualquer prova concreta a apoiá-las (seja a das “mortes” por causa das greves, seja a das tenebrosas fontes de “financiamento”, como se tivesse a mínima moralidade nesse aspecto quem por exemplo, não quer que se conheça quem financia as suas festas), a atacar uma classe a partir de este ou aquele “rosto” seleccionado para a demonizar e a ampliar uma estratégia de instrumentalização do aparelho de Estado por parte do Governo para combater uma classe profissional que não alinha em passeatas e cantorias à porta dos ministérios. Ainda não percebi se acham que os enfermeiros são uma cambada de idiotas instrumentalizados por uma teia de interesse privados tenebrosos, se o acesso à profissão é apenas permitido a quem seja de “extrema-direita”. Não são os enfermeiros que estão a degradar o SNS, como não foram os professores a degradar uma Escola Pública que, de excesso de oferta, passou a não ter professores disponíveis para os alunos que existem, em virtude da campanha desenvolvida para amesquinhar a profissão nos últimos 15 anos.

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No meio disto, o PR meteu a sua pata afectuosa na poça ao dizer algo sem qualquer sentido, ou seja, que as greves só podem ser financiadas por fundos dos sindicatos que as convocam e que não poderão ser apoiadas externamente, o que, de certa forma, significa que a “sociedade civil” não pode manifestar o seu apoio a uma dada causa. Ora… em tantos anos, tirando o aluguer de autocarros e distribuição de panfletos e bandeirinhas, nunca assisti a qualquer greve que, no caso dos professores, tenha tido qualquer apoio financeiro dos respectivos sindicatos. Os “fundos de greve” são dinamizados localmente, com sindicalizados ou não a contribuir por igual para uma repartição equitativa, independentemente de quotas pagas.

Sim, o “sistema” não vai ter quaisquer contemplações com os enfermeiros e a campanha irá tornar-se ainda mais negra/suja porque se percebe que, depois dos professores, é a vez dos enfermeiros serem domesticados. Com aqueles, a colaboração dos sindicatos tem sido preciosa, bastando ver como os façanhudos da Fenprof tiram o apoio a qualquer iniciativa independente para recuperar o tempo de serviço no Parlamento, centro da democracia representativa, com estes, parece-me que as coisas vão entrar mesmo num nível completamente novo, com as máquinas do governo e dos operacionais da geringonça unidas numa mesma luta para que os enfermeiros “percam o apoio da opinião pública”.