“Diante de um ecrã a criança transforma-se numa espécie de porta USB ou numa impressora”

Ou seja, transforma-se num ser amorfo, que em vez de agir, reage — ou nem isso. Quem o diz é Catherine L’Ecuyer, doutorada em Educação e Psicologia e autora do bestseller “Educar na Curiosidade”.

Fácil falar, difícil fazer? Assegura que não e revela que na sua própria casa não há tablets, videojogos, ou smartphones: “Temos um telemóvel familiar — que só dá para fazer chamadas, não tem Internet –, que [os meus filhos] utilizam quando necessitam”.

Simplex Para Professores — ComRegras

O documento intitulado Escola + Simples para Professores, é uma tentativa, embora tímida, de reduzir a burocracia/procedimentos em algumas áreas escolares. Não a crítico, mas é preciso ir mais fundo nesta questão. Aliás, este assunto foi abordado por diversas vezes e fica um pouco aquém esta medida do Ministério da Educação já no final do seu mandato.

Numa rápida leitura, verifica-se um esclarecimento do que deve constar nas atas, a possibilidade de trocar um professor por um assistente operacioal ou técnico nas visitas de estudo, entre outras coisas.

comentário – Parece que as plataformas que tanto incômodo dão aos diretores continuarão, com as estruturas intermédias a repetir pedidos de informações.

simplex

Espelhos – Carlos Santos

A telefonia é uma voz dentro de cada cabeça. E no outro dia (8 julho de 2019), num discurso com cheiro a urna – não daquelas com serventia para depositar corpos inermes, mas das que servem para recolher votos – essa voz entrou nas nossas cabeças e tentou fazer ligação direta ao coração. A voz do primeiro-ministro, munida de um exército de palavras perfumadas de sorrisos encantadores, asseverava na Rádio Renascença:
“Eu nunca farei chantagem aos portugueses a dizer ‘só governo nesta ou naquela condição’”.

Sons que eram música para os meus ouvidos, não tivesse feito uma paragem pelo cérebro antes de chegar ao coração. E foi aí, nesse sótão poeirento onde se arquivam as memórias, que encontrei um discurso impregnado de naftalina que mantinha intactos momentos inolvidáveis que ainda não se haviam perdido no meio de tantos buracos. A recordação de um comunicado ao país que chegou a casa pelo televisor, essa coisa que deixou o formato de caixa e adotou o de tela, mas manteve a sua função de fazer chegar até nós o melhor e o pior, continuando a ser usado como uma arma por quem mantém a argúcia e empenho para o fazer. Coisa com a qual sou incapaz de competir, visto que me limito a vender espelhos que já ninguém quer comprar.

E assim foi, no pouco longínquo terceiro dia do mês de maio, quando se preparava a sagrada hora da janta, o televisor expelia o infausto discurso do mesmo António Costa que se fazia convidado sem convite, o qual advogava:
“Nestas condições, entendi ser do meu dever de lealdade institucional informar Suas Excelências, o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República, que a aprovação em votação final global desta iniciativa parlamentar [a contabilização total do tempo de serviço dos professores], forçará o governo a apresentar a sua demissão”.

Nesse instante, a cabeça dos portugueses foi assaltada pela palavra «chantagem».
Um dia infeliz em que não houve cidadão dedicado ao ensino que não tivesse de recorrer ao serviço de urgências com uma paragem digestiva, Costa entrara em nossas casas por aquele imenso palco munido de chantagem num discurso onde transparecia um perpassar de culpas para cima dos professores que, num ápice, se transformaram no inimigo do povo.
Sem circunlóquios, vestido da indignação de virgem ofendida, foi direto ao assunto e chantageou o povo com o ultimato «ou estão comigo, ou estão com os professores», virando o país contra nós.

Este é o político que vem agora garantir que jamais faria chantagem aos portugueses.
Mas, em todo caso, eu não tive a originalidade de exibir nada de novo, porquanto não manipulo espelhos, só os vendo. A responsabilidade sobre a qualidade do que neles veem não é minha, pois eles apenas devolvem o reflexo da realidade.
Carlos Santos

A desorientação dos professores portugueses não abona em nada ação sindical

“Pela minha parte, enquanto continuar a ver, como ainda ontem sucedeu, colegas numa acção de formação a bater palmas aos representantes do Governo e às políticas deste ME, não terei dúvidas em afirmar que MN, mesmo não lecionando há trinta anos, me representa muito melhor do que alguns professores que todos os dias vão à escola…” António Duarte

Eu vou à escola todos os dias e mesmo na próxima segunda e quarta terei reuniões. Não consigo perceber como alguém não presente no dia a dia das escolas sente as dificuldades. O relacionamento depois dos 60 anos com alunos do primeiro ciclo é pouco recomendável e arrasa qualquer um.

Também sinto vergonha de colegas que aplaudem o poder. Já a posição da fenprof face aos monodocentes também é reprovável.

Portimão entre os 84 municípios que assumem competências na educação

84 municípios assumem “tudo” menos os professores, mas até quando?

Correm rumores fundamentados de que vão surgir novidades em relação ao recrutamento de professores. Surgem rumores fundamentados de que o diploma de concurso de docentes pode vir a ser novamente objeto de alterações.

A Secretária de Estado afirmou que defende a autonomia das escolas na escolha do seu corpo docente num podcast com Daniel Oliveira, que também a defende.

Posto isto, teremos novidades na próxima legislatura caso o PS se mantenha no governo. Isso é mais do que certo. Teremos uma nova espécie de BCE, mas, desta vez, com todos os professores, contratados e quadros. Abrir-se-á uma nova frente de batalha, desta vez pelo posto de trabalho de todos.

Uma boa maneira de fazer esquecer outras reivindicações e manter a instabilidade nas escolas até à capitulação final. in ArLindo

Competências na educação assumidas por 84 municípios já este ano

Pelo Educare

O Meu Quintal

Um dos textos que me deu mais gozo escrever nos últimos tempos.

O reino deles não é do nosso mundo

Ainda encontro textos que me transmitem a noção de que existem pessoas com os pés na Terra quando falam da Educação em Portugal na nossa comunicação social. Mas, a sensação geral quando assisto a debates com especialistas na matéria ou a declarações de alguns governantes é a de que eles são soberanos ou cortesãos de um reino que não pertence ao meu mundo e ao da generalidade dos professores que teimam em encarar a realidade sem filtragens ideológicas ou conveniências tácticas.

pg contradit

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