Provas de aferição – Maria João Novais

 “Ontem “devolvi” as provas de aferição! Utilizo as aspas porque eu não pedi provas a ninguém e sou uma pessoa séria que só me sinto obrigada a devolver aquilo que eu pedi, mas como aquilo são coisas que não interessam a ninguém, lá entreguei as respetivas. Foram mais de 450 folhas de tortura, primeiro para as crianças e depois para mim. O que é que vamos aferir? A nossa resistência à maldade? A paciência das nossas crianças para aturar a estupidez dos adultos ou a sua benevolência à nossa ignorância? Depois de aplicar a prova e classificar 45 exemplares continuo sem saber para que serve a alfarroba… O que eu gostava de saber é como é que o Ministério da Educação vai aferir a felicidade do Martim quando lê um texto mais depressa do que um aluno do 4º ano e que continua com esta velocidade a ler as perguntas e sai-lhe cada resposta! Ou o orgulho do Josué quando responde a uma multiplicação mesmo antes de eu terminar a pergunta? Como é que o Ministério vai avaliar o talento da Joana para a poesia se o texto era para caracterizar um animal e a rapariga teima em espetar escamas em tudo o que é bicho? Como vai classificar a imensa sabedoria da Catarina que estava bloqueada pela ansiedade? Como vai refletir sobre o gosto pela leitura sem ouvir as gargalhadas dos miúdos quando leio uma história disparatada com uma voz ainda mais disparatada? Recorrer a provas de aferição no 2º ano pode ser muita coisa, mas não é Educação. O dicionário refere que Educação é o “conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito”. Pedagógicas?! Enfiar-lhe uma prova e dizer-lhes que ninguém pode falar com eles, que não podem escrever a lápis, que não podem virar a folha antes do professor mandar?! Desenvolvimento?! Esperar que crianças de 7 e 8 anos cresçam a partir de um momento tão angustiante?! Um bem-haja aos meus alunos que foram uns heróis e aguentaram isto tudo com um sorriso nos lábios. Boas férias aos meus piratinhas, que bem merecem!” Maria João Novais

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As orientações que desorientam – Fátima Braz

Tinha prometido a mim própria manter o silêncio, porque imaginava esta fase de ruído com as “orientações” para a mudança no nosso Sistema de Ensino. Primeiro pela falta de ligação entre as medidas, pela ausência de uma lógica, de um fio condutor que leve a que, quem tem responsabilidades as possa exercer com coerência e…

via As orientações que desorientam — ComRegras