Lígia Conceição no facebook

Continuo a achar que fui uma privilegiada.
No meu tempo, não há muito tempo, 16-20 anos, tínhamos opção de escolher horário de manhã ou de tarde.
Sempre tive de manhã, por sorte, já que a minha mãe saltou todos os anos de cidade e eu todos os anos saltei de escola primária.
(Nem por isso aprendi menos ou deixei de ser social, muito pelo contrário)

Íamos para a escola por volta das 8:20. Tínhamos um intervalo de meia hora a meio da manhã e saíamos por volta das 13h da tarde.
Ah, e mesmo assim tínhamos uma vez por semana música e inglês! E educação física também era uma vez.

Era excelente porque dava para apreender, para conviver com os colegas, jogar futebol, brincar às navegantes da lua, etc. E a tarde era para fazer os trabalhos de casa, ter atividades extracurriculares (natação nas piscinas municipais, ginástica, etc), ver desenhos animados, brincar às barbies, estar com família, primos, etc. E à noite aquela vontade de voltar outra vez à escola aparecia!

Tenho muita pena que, hoje em dia, os miúdos de tenra idade tenham que olhar para a escola quase a full-time.
Que tenham que estar fechados nas escolas, mesmo que coloquem todas as atividades dentro da escola.
Sabem porquê? Porque a cabeça desses meninos não desanuvia. A escola é aquilo que eles só conhecem. O único lugar que vêac18d-fotos2bindisciplina2bescolarem durante 5 dias por semana em 7 dias. Porque no final do dia é hora de ir dormir e aquela sensação de querer ir à escola, já não faz sentido…

Concordo com o António

O problema é que eles (o poder burocratizante) conseguem muitos apoios nas escolas ao prometer (concretizando ou não) prebendas especialíssimas aos colaboradores no delírio. O segredo está em ir além dos alinhamentos políticos conjunturais e ver algo coerente por sobre as conveniências imediatas. E ter coragem de o assumir.

Os professores têm muita culpa

Umas das minhas desilusões (não é das maiores, é de esperar, é da natureza humana fraquinha) tem sido ver como há uma adesivagem quase descontrolada de diversos sectores, assim lhes prometem um lugar à beira do sol. Há os casos individuais, mas também há os “grupais” que arrastam organizações representativas de pouco mais do que nada a fazer parte de “vagas de fundo” de apoio às medidas em decurso. Ao mesmo tempo que muita imprensa se demitiu completamente de exercer algum controle da veracidade de muito do que se passa.

Tempos sombrios, na sua versão mansa. Regressou o medo de contestar as coisas a nível das escolas ou global, pelas velhas razões (as vinganças de proximidade) e por outras só um pouco mais novas (os anátemas públicos sobre quem não salta com as novidades). E nisso também há muitos professores que gostam de participar, porque não há nada como sentir as costas quentes.

Discordei muitas e muitas vezes do António, pela sua imensa capacidade de dar benefícios da dúvida a uns e criticar quem deu um curto benefício da dúvida a outros. A médio-longo prazo veremos se, em muitos caos, as discordâncias não resultaram mais de algum clubismo e amor à camisola do que de divergências essenciais. Acho que ele discordará bem mais de quem o tem tentado arregimentar para a causa da falsa “autonomia e flexibilidade”.

Fog

Fonte: Concordo com o António