Ana Rodrigues Martins

O que vou escrever de seguida é um facto, pelo que não admite contraditório nem aquela conversa de que me esqueci deste ou daquele sector.
O 1° ciclo do ensino básico é o único nível de ensino em que as escolas estão obrigadas a oferecer ocupação aos alunos, das 9 horas às 17.30.
Para essas oito horas e meia de armazenamento de crianças, inventaram-se e atamancaram-se estratégias que, de escola para escola, funcionam das mais variadas formas.
De caminho arranjou-se maneira de entrarem nas escolas uma miríade de projectos, “técnicos, entidades e monitores. Os professores e os alunos transformaram-se, numa dúzia de anos, nos elementos menos importantes desta equação, de modo que, havendo que elaborar horários de funcionamento, são os últimos a ser tidos em conta.
Isto é assim e, enquanto assim for, a escola do 1° ciclo vai continuar a ser um local de martírio, onde não é possível um dia a dia saudável.

fotomontagem: Luís Costa

O primeiro ciclo também pensa

Manter durante uns anos um blog razoavelmente visitado,  não é tarefa fácil.

Muitas vezes pensei em desistir. Uma delas foi quando uma página anónima “Quem se preocupa com os professores do primeiro ciclo” me acusou de plágio.  Sempre que os citava usava aspas, e a identificação possível, pois trata-se de um página eternamente anónima. O que prova que há medo entre alguns professores do primero ciclo, ou que têm alguma coisa a esconder. Hoje em dia sobrevivem do que alguns blogues publicam, e perderam o fulgor editorial de outros tempos.

Não escondo que defendo o regime de aposentação especial, com contagem de tempo diferenciada apenas nos anos em que o professor trabalhou como titular de  turma. Escrevo contra mim que estive 10 anos no ensino especial, 2 em coordenação de bibliotecas e 5 nos apoios educativos.

As turmas mistas com vários anos de escolaridade, e alunos NEE em excesso continuam, apesar de sermos um país com professores a mais.  Curioso é que numa aula em que substituía o professor titular (a faltar), com uma turma de dois anos de escolaridade (mas que na prática tem três)  fui surpreendido com entrada de duas professoras de inglês. Fiquei esclarecido, e contente por este grupo disciplinar ter conseguido aquilo que a monodocencia raramente  consegue; um trabalho letivo com coadjuvante em turmas com vários anos de escolaridade.

Entretanto a “envagelização”  como lhe chama o colega Paulo Guinote, prossegue a bom ritmo sem os verdadeiros problemas sejam solucionados: indisciplina, com a tortura de lecionar  turmas com alunos mal-educados e desinteresssados, turmas com alunos em excesso, turmas mistas com alunos NEE em excesso, com mais apoios, mas sem deixarem de ser um fator de trabalho extra e desespero de alguns titulares dessas turmas.

Alemanha2