Sobre a aposentação dos monodocentes

Ana Cristina Santos Se não houvesse razão para tal, porque será que antes era de outra forma? Respeito todos os meus colegas dos outros ciclos de ensino…mas o 1º ciclo exige demasiado… A falta de autonomia dos alunos e a sua constante exigência (compreensível) de atenção, aliada à extrema complexidade e extensão dos currículos… derruba qualquer um…Para mim já são 30 anos … de dedicação e gosto pelo que faço… mas o nosso corpo, a nossa cabeça, as nossas cordas vocais, não se compadecem… Mas tenho consciência que os outros ciclos também têm as suas especificidades (trabalho com adolescentes e jovens e conheço muito bem as suas “manhas”).

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Hoje sonhei…

Acordei agora, e tive a necessidade de começar a escrever no “wordpress”, antes de me esquecer do sonho.

Sonhei com alguém, que não conheci e nunca vi, mas de que conheço uns  epísodios da sua vida narrados pelo meu avó materno. Professor, apaixonado por história, ao ponto de nomear os seus filhos com nomes invulgares em Portugal: Demostenes, Ermesinda, Dimas, o meu avó materno, professor primário e Tadeu (aqui não cedeu à tentação do Judas, até porque presumo que numa nação católica tal não seria permitido).

Apesar da ordem o meu avó materno era o irmão mais velho, e sempre foi um cuidador dos irmãos, o único que abraçou a profissão do pai, e no final de vida do meu bisavó se assumiu como o chefe da família, o meu bisavó era viúvo.

Mas também sonhei com alguém que já vi, mas com quem nunca falei. Recebi um telefonema que falava do tempo das revoluções após o vinte cinco de abril, o desabrochar da liberdade, e falava como se me conhecesse, da minha vida pessoal passada, das mesma experiências  musicais, Zeca Afonso, José Mário Branco, Vitorino, Sérgio Godinho e outros. Falava dos excessos desses anos,  da construção dos alicerces da democracia.

Acordei e lembrei-me que os tempos são outros, e afinal a democracia é mais formal que real, pois fugiu das instituições e reserva-se para de quatro em quatro anos meter o voto na urna. São tempos de tribunais, pareceres, fingimentos e hipocrisias que não merecíamos, depois do tempo da revolução dos cravos e do que trouxe de tão prometedor.

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