Opinião – José Matias Alves

Há muitas formas de humilhação profissional. Elenquemos três tipologias (três topografias): as que vêm de cima, as que vêm de baixo e as que vêm do lado.

As que vêm de cima são as clássicas intromissões e não raras desautorizações do poder. As que vem do lado têm a sua origem nos modos de relacionamento com os pares. São as desconsiderações profissionais, as suspeitas de incompetência (verbalizadas ou não), o esconder do olhar do outro o trabalho que poderia ser comum.

As que vêm de baixo provêm dos alunos e é sobre estas que alinho estas breves notas. Os alunos possuem, paradoxalmente, um largo poder sobre o professor e podem causar um enorme desgaste e humilhação. Não apenas quando geram a indisciplina de baixa, média ou alta intensidade. Mas quando decidem não aprender, quando ficam indiferentes aos esforços de ensino dos docentes, quando se alheiam do que se passa na sala de aula.

Esta ausência dos alunos, esta indiferença ao conhecimento é, provavelmente, uma das maiores humilhações dos professores. Porque negam a ação de professar. Negam a possibilidade do professor existir enquanto ser de relação, difusor de conhecimento, e fazedor de humanidade.

Em última instância, o tédio e a indiferença dos alunos são a afronta maior ao professor porque o negam como ser. E esta humilhação é fonte de um padecimento doloroso que retira a vontade de investir e gera a vontade de fugir e de morrer.

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