Carlos Santos – Explorados, Enganados e Maltratados

Somos EXPLORADOS pelo nosso “patrão” (Ministério da Educação) que nos paga 35 horas semanais, mas com a sobrecarga de trabalho, turmas grandes e burocracia que nos obriga a cumprir, acabamos por ter de fazer mais de 46 horas semanais. Eis um enorme conjunto de horas extraordinárias que nos ficam por pagar.
Veja-se a exploração da qual a comunicação social não fala!

Somos ENGANADOS pelo mesmo patrão com o qual assinámos um contrato para cumprimos 36 anos de serviço (32 na monodocência) e que a meio do “jogo” alterou as regras unilateralmente obrigando-nos a trabalhar cerca de mais 10 anos até perto dos 67 de idade. Um patrão que resolveu ignorar que não estamos a trabalhar com parafusos, estamos a lidar com pessoas (por vezes 30 crianças de cada vez) causando um enorme desgaste, quando se sabe que os próprios pais se veem aflitos ao ter de lidar com um ou dois filhos em casa.

ENGANADOS por uma tutela que connosco tinha assinado um contrato que compunha um estatuto de carreira o qual ignorou, criando obstáculos no acesso ao 5º e 7º escalões e roubando-nos 9 anos, 4 meses e 2 dias, por forma a que a maioria dos professores atualmente mal possa aspirar chegar sequer passar do meio da carreira.
E ainda dão tempo de antena a inúteis bem pagos para mentir em público com contrainformação enganosa para convencer as massas de que avançamos na carreira 3 vezes mais rápido do que a restante função pública!

E somos MALTRATADOS por quem nos tem governado, porque em vez de lutar pelos professores, governa contra nós, difamando-nos constantemente em público espalhando mentiras e arranjando correligionários que virem a opinião pública contra nós.

Um patrão que não negoceia – impõe;
não elogia – critica;
não recompensa – castiga;
não reconhece – ignora;
não respeita – explora;
não defende – ofende.
Não tem uma palavra de apreço pelo importantíssimo trabalho que nós fazemos; só abre a boca para nos difamar.

Um patrão que não nos vê como membros de uma equipa de trabalho conjunto em prol de uma melhor Educação e instrução da população, mas como um inimigo.
Não nos vê como uma mais-valia, mas como uma despesa a cortar.
Não nos vê de nenhuma maneira positiva a não ser como um mero número nas suas folhas de Excel.
Um patrão que odeia os seus funcionários – os professores – e instiga o resto da população a nos detestar também.
Destratados e roubados deste modo, o que esperavam eles de nós?
Empatia? Apreço?

Mexeram connosco faltando-nos ao respeito.
Exploraram-nos, enganaram-nos e maltrataram-nos e, não satisfeitos com isso, apoiam uma campanha miserável de rebaixamento dos professores.
Por isso, amanhã continuarei nesta luta com Greve às Avaliações, porque ainda me resta o mínimo de dignidade a defender.

Quem se sente ofendido como eu me sinto, que se junte a nós e faça greve também, porque a UNIÃO faz a FORÇA!
Quem alinha/está a alinhar na greve para fazemos uma força?

Pais (confap) querem professores amordacados

Miseráveis, as declarações do presidente da Confap são miseráveis. Se o presidente da Confap diz que os sindicatos estão a instrumentalizar a Educação, a Confap faz exatamente a mesma coisa. Não é seu dever, não é seu lugar, colocar em causa um direito Constitucional que é o direito à greve. Nenhuma greve existe sem consequências,…

via Pais (CONFAP) querem professores amordaçados — ComRegras

Intervenção do 1.º ministro há um ano na Assembleia da República

“Assistimos, pela 1.ª vez, se a memória não me atraiçoa, a um 1.º ministro a reconhecer que há discriminação com os monodocentes. Senti um enorme gáudio quando ouvi em direto o 1.º ministro a proferir estas palavras. Pus muitas reticências se estas palavras iriam contribuir para um tratamento de equidade para com os professores do 1.º ciclo e educadores de infância que há muito anseiam e merecem.” […]

“E de então para cá o que fizeram os sindicatos. Que eu tenha conhecimento remeteram-se ao silêncio sobre esta intervenção, com honrosa exceção de dois sindicatos que defenderam um regime especial de aposentação para os monodocentes.” […]

José Carlos Campos

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ME e direções apanhados de surpresa pelo S.TO.P

A percepção clara, da parte dos professores, de que este era o timing errado: uma greve às avaliações deixando de fora os anos terminais do básico e secundário, aqueles em que o atraso na saída das notas condiciona automaticamente os exames e, no caso do secundário, o sistema de acesso ao ensino superior, seria pouco mais do que inócua. A greve capaz de fazer mossa era agora – e foi essa a ideia que mobilizou, por todo o país, algumas centenas de activistas, que rapidamente mobilizaram milhares de colegas para a greve convocada pelo STOP. António Duarte, in Topo e Fundo

O seu sucesso trouxe consigo respostas mais contundentes. Há, neste momento, convocatórias sobrepostas para dia 15. Uma às avaliações e agora outra que parece ter levado esta resposta. Paulo Guinote

Sind Stop

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