Opinião – Mário Silva

E entretanto, enquanto o ME dirimia um conflito com os docentes sobre o tempo de serviço, atacava pelo flanco (um ataque ‘em pinça’, no jargão militar) usando o decreto-lei da flexibilidade e o decreto da educação inclusiva como armas, tornando obrigatória a sua implementação a nível nacional. Algumas consequências prejudiciais para os docentes dessa investida:
– mais horas de trabalho no estabelecimento sem nenhuma compensação
– mais burocracia em ‘grelhados’ e relatórios infindáveis
– diminuição do número de horários
– conflitualidade entre professores (derivada da necessária decisão de distribuir os tempos letivos da componente do currículo entre as várias áreas disciplinares: umas ficarem com mais tempos letivos semanais do que outras da mesma componente curricular)
– o modelo pedagógico é a ressurreição da área de projeto/área escola/projeto curricular de turma mas sem aumento do crédito horário letivo.
Este modelo não será implementado na plenitude por causa de várias condicionantes, que estão relacionadas com dinheiro e aumento do orçamento:
– cumprimento obrigatório dos 1100 minutos da componente letiva docente (1500 minutos no primeiro ciclo)
– impedimento da contratação de profissionais
– impedimento de aumentar o crédito horário letivo
– predisposição resistente de um grupo de estudantes que está maioritariamente dedicado ao hedonismo promovido pela sociedade tecnológica, não tendo maturidade psico-emocional para integrar um modelo pedagógico que só tem eficácia se o estudante for curioso, interessado, proativo, colaborante, responsável.
– avaliação externa com exame nacional escrito com base num programa de conteúdos (acesso ao ensino superior), que condiciona qualquer flexibilidade curricular.
E assim se termina um ano letivo, com um ME empenhado em proporcionar maravilhas pedagógicas aos alunos (algo louvável), mas em destruir a carreira profissional e proporcionar desmotivação aos trabalhadores docentes; uma estranha combinação para quem deseja uma escola produtiva e agradável…

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Plataforma para acesso aos manuais escolares gratuitos

A partir do próximo mês de agosto, estará disponível online a plataforma onde as famílias se deverão inscrever para terem acesso aos manuais escolares gratuitos disponibilizados pelo Ministério da Educação e cuja oferta abrange os cerca de meio milhão de alunos do 1.º ao 6.º ano que frequentam a rede de ensino público.

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