Mataram os professores…destruíram a Educação

Luto nacional… dos Professores, da Escola, da Liberdade e da Democracia.
Hoje, 20 de julho, foi um dia inesquecível para todos nós – o dia em que mataram os professores e destruíram a Educação!
Hoje foi o dia da Inquisição dos professores queimados na praça pública.
O dia em que fomos amarrados ao poste da injustiça vimos incendiadas a nossa dignidade e a nossa liberdade.

Ficámos hoje a saber o que já sabíamos – que somos tutelados por um bando de inúteis com défice democrático que se revelaram como os maiores inimigos dos professores.
Ficámos hoje a saber que já não somos professores, somos meros administrativos.
Ficámos hoje a saber que o direito à greve é para todos, menos para os professores.
Ficámos hoje a saber que estão a desumanizar a Educação desacreditando os professores, tentando extingui-los.
Mas, mais do que tudo isso, ficámos hoje a saber que mataram a maior de todas esperanças que nasceu em nós naquela manhã de abril perpetuada num cravo na mão de uma criança – o sonho da liberdade!

Que crédito podemos dar a quem ataca a força da razão com a razão da força?
Que nome poderemos chamar a quem inapropriadamente manda fiscais às escolas para perseguir e atemorizar os professores?
Que nome podemos dar a quem tenta limitar a liberdade?
Num país onde os criminosos andam à solta e os professores são perseguidos, já nada mais me surpreende.
Perseguidos, maltratados, enganados, roubados e insultados, este é o modo como nos acarinham em Portugal.

Com um mês e meio de greve não me fizeram morrer de forme, mas um só dia foi suficiente para eu morrer, mas de vergonha. Não de vergonha dos meus colegas, companheiros e amigos professores de quem muito me orgulho da luta maravilhosa e cívica que fizemos, dando uma aula de democracia a todos estes déspotas incultos. Morri de vergonha, sim, mas de quem nos governa e trata com opressão e sem o mínimo de respeito.

Nesta ocasião em que não é possível pôr sentimentos nas palavras, ponho palavras nos sentimentos para falar bem alto a palavra que vai na alma dos professores neste momento – REVOLTA!
Esta palavra é dor que sente toda a gente que é professor. Uma dor impossível de medir. Uma dor que leva a liberdade, consome a esperança, devora a justiça e furta a dignidade.

Havia um valor inviolável que nos garantia que nos livráramos da ditadura – chamava-se liberdade – e esta foi hoje violada diante do olhar de toda a gente!
Conta, colega, os sonhos que te roubaram,
anuncia a angústia que te deram
diz da injustiça que te fizeram
fala de tudo o que te vai na alma.
Não,
Não contes, não anuncies,
não digas, nem fales.
Fecha os olhos e sonha.
Sonha a vida que desejas e nunca tiveste.
Sonha o respeito que mereces.
Sonha a justiça que te negaram.
Sonha o que prometeram e não te deram.

Olho esses rostos desiludidos, reflito sobre tanta mágoa e canto tantos sonhos abatidos.
Já não olho, já não reflito, já não canto, eu agora já só grito:
Nunca destruirão a Educação, nunca matarão os Professores, nunca nos roubarão a Liberdade!
Que viva para sempre quem canta a liberdade, como nós ousámos cantar num país de injustiça e iniquidade!
(Carlos Santos)

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