Para acabar de vez com a greve às avaliações

Diário da República, 1.ª série — N.º 149 — 3 de agosto de 2018 Portaria n.º 223-A/2018 de 3 de agosto https://dre.pt/application/file/115879410 artigos 34 e 35…acabaram as greves às avaliações.

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Entrevista de André Pestana, professor e porta-voz do S.TO.P ao EDUCARE.PT — Blog DeAr Lindo

“A classe docente está farta da luta mansinha” » Educare – O Portal de Educação O S.TO.P. – Sindicato de Tod@s @s Professor@s é a mais recente estrutura sindical do setor educativo.

 Quer fazer diferente e continua na luta. “Enquanto tivermos profissionais da educação desconsiderados, ultraprecários, desvalorizados dificilmente poderemos garantir as melhores condições de aprendizagem que as nossas crianças e jovens precisam e merecem”, refere André Pestana, professor e porta-voz do S.TO.P, nesta entrevista ao EDUCARE.PT.

O S.TO.P. – Sindicato de Tod@s @s Professor@s surgiu este ano e arregaçou as mangas. Avançou com greves às avaliações durante quase dois meses e em 8 de setembro realizará um encontro nacional de docentes para decidir, democraticamente, o que irá fazer no início do próximo ano letivo. E vai avisando que o Ministério da Educação (ME) não pode passar pelos pingos da chuva com “mentiras, ilegalidades, intimidações várias”.

“É preciso que os sindicatos docentes deixem de assinar acordos importantes com o Ministério da Educação sem antes estes acordos serem sufragados democraticamente pela classe”, diz André Pestana, o rosto do S.TO.P. No seu entender, o ME tem tentado encostar os professores à parede “com roubo no tempo de serviço, precariedade, gestão não democrática nas escolas, péssimas condições pedagógicas”. “Os professores apenas têm começado a responder à altura”, refere.

André Pestana é natural de Coimbra, filho de professores da escola pública, professor de Biologia contratado que chegou a “pagar para trabalhar” numa escola em Serpa, depois de concluir o seu doutoramento em Biologia com trabalho de campo na Amazónia. É pai de dois filhos pequenos, de 6 e 3 anos, com quem nos últimos anos está apenas ao fim de semana, porque só consegue colocação a mais de 220 quilómetros de casa. Acredita que é possível mudar o rumo dos acontecimentos e não vira a cara à luta.

EDUCARE.PT: O S.TO.P. está envolvido na greve às avaliações. É o sindicato que estendeu a paralisação por mais tempo. Valeu a pena?

André Pestana (AP):

O S.TO.P, para convocar e prolongar as suas greves, teve sempre como referência sondagens independentes e transparentes. Ou seja, não fomos nós a realizar, controlar e a divulgar essas sondagens mas sim bloguers docentes, por exemplo: De Ar Lindo (o mais visto pela classe docente e insuspeito de pertencer ao S.TO.P.). Nessas sondagens (em que participaram milhares de professores, amostras bem mais significativas do que as usadas nas sondagens para as eleições nacionais), 63% afirmaram querer continuar até 31 de julho.

Se valeu a pena? Para responder, temos de ver a situação existente quando iniciámos a greve em 4 de junho. Nenhum professor em território nacional tinha garantido a contagem de todo o tempo de serviço (nove anos, quatro meses e dois dias). Hoje, graças à greve dos professores, os professores do arquipélago da Madeira já têm (justamente) garantida a contagem do seu tempo de serviço. O que torna mais insustentável a posição do Ministério da Educação/Governo em manter na mesma República Portuguesa, perante o mesmo serviço em escolas públicas, tratamento tão desigual entre cidadãos.

O ministro da Educação (e o seu ME) tinha conseguido “escapar entre os pingos da chuva” até ao dia 4 de junho. Perante esta luta sem precedentes, este ME perdeu totalmente a sua face: com mais mentiras, ilegalidades (notas informativas 11 de junho, e-mail DGEstE 20 julho, etc.), intimidações várias (“serviços mínimos”, envio inspetores para as escolas, etc.) e total desconsideração por critérios pedagógicos e pelo trabalho realizado pelos alunos durante o terceiro período (exemplos: conversão de propostas de notas em notas finais sem a presença dos professores dessas disciplinas, passagem automática de notas do segundo período para o terceiro período, etc.) e agora em finais de julho até os inspetores denunciaram publicamente a tentativa do ministro em os transformar em “polícias” para cumprir o que o ME quer e não o que a lei determina. Tudo isto desgastou irreversivelmente a imagem deste ME…

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via Entrevista de André Pestana, professor e porta-voz do S.TO.P ao EDUCARE.PT — Blog DeAr Lindo

A piscadela de olho de Costa aos monodocentes não vale nada, enquanto as federações sindicais insistirem numa aposentação indiferenciada para todos os docentes

“A todos/as os /as que se manifestam contra as comparações, digo-lhes que são inevitáveis e que resultam única e exclusivamente do que está expresso na legislação (ECD). Se há divisões, elas estão lá expressas, é só uma questão de as contabilizar e foi isso que foi feito. Aspectos relativos às especificidades de cada nível de ensino, sempre existiram e continuarão a existir; esses não foram alegados, nem poderiam ser, e não podem ser equiparados por via da legislação. É comparada somente a duração da carga letiva que, como todos/as sabemos, é o factor de maior desgaste físico e psicológico. O que foi e é pedido, é simplesmente a igualdade dessa carga sendo, para tal, necessário alegar as diferenças. A quem alega que pedir condições iguais é querer causar divisão, digo-lhes que é exatamente o oposto. Como devem saber, uma das premissas para a união de qualquer grupo é que todos estejam sujeitos às mesmas regras e que estas sejam aceites por todos. Neste momento isso não acontece, por via do estipulado no ECD. Quanto a propostas para corrigir a situação, já foram feitas várias, devidamente fundamentadas, que em nada interferem com os outros ciclos. Se pedir igualdade incomoda assim tanto alguns colegas, acho que deviam explicar porquê. Façam o favor de dizer em que isso os/as perturba, qual ou quais as diferenças nas vossas vidas se, um dia, os docentes da Educação Pré-escolar e do 1.º Ciclo vierem a ter uma carga letiva igual à vossa ou outra medida de compensação pela sobrecarga a que estão sujeitos? Será apenas dificuldade em lidar com a igualdade? Não quero acreditar nisso.”

António Carvalho

Educadores de infância estão entre os mais velhos da classe docente

Últimos dados da DGEEC dão conta que 45% dos professores em exercício têm 50 ou mais anos. Há 17 anos esta proporção estava nos 18,3%.

Quase metade dos educadores de infância que estão no activo têm 50 anos de idade ou mais, o que faz deles o segundo grupo mais envelhecido da classe docente. Este é um dos retratos apresentados pela Direcção-Geral da Educação e Ciência (DGEEC) na sua publicação anual Educação em Números, que foi recentemente divulgada.

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