O último sumário

Este prosema foi escrito no início da primeira vaga de encerramento cego de escolas do primeiro ciclo, quando Lurdes Rodrigues e Sócrates decidiram encerrar todas as escolas com menos de vinte e um alunos, independentemente de serem do interior ou do litoral, das serranias ou das redondezas de uma cidade, com um centro escolar a mais de vinte quilómetros ou a mil e quinhentos metros. Hoje, já pouca gente aborda este tema, mas a sangria das aldeias do interior continua. Talvez alguém sonhe vê-las transformadas em bibelôs de turistas.

A aldeia descansava no cimo de um cabeço, entre um espelho de água fria, recém-nascida — convidativa à contemplação do ventre da montanha —, e as ingremidades rugosas da serra austera e carrancuda, que impunha o seu corpanzil rochoso ao povoado granítico minúsculo, discretamente aninhado num leito de carvalhos e sobreiros, parecendo torcer o nariz ao povo que, de sol a sol, lhe esgravatava constantemente a dura pele. […]

Escola abandonada

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