Desabafo de uma menina de 1º ano de escolaridade após dois meses de aulas

Eu não sabia que a minha vida ia mudar daquela maneira…
Que me iam arrancar do meu doce mundo mágico de Nenucos e Legos, para me afogar em letras, números e tarefas.
Que, de um dia para o outro, o reino da fantasia fosse povoado de linhas e quadrículas e toques e vira-te-prá-frentes!
Não me entendam mal – não é que eu não goste de aprender!
Antes deles me mandarem escrever em cadernos, já eu o fazia nas paredes do meu quarto e nos livros de cabeceira do meu pai!
Também já gostava de matemática: sempre soube subtrair os brinquedos à estante do meu mano e multiplicar o barulho, quando os pais querem ouvir alguma coisa na televisão!
Ler é muito fixe. De repente, os objectos começam a falar connosco e entendemos o que dizem. Os rótulos das garrafas, os panfletos dos supermercados, até as palavras na televisão!
Do que me queixo é de…
 já não ter tempo para nada,
de estar na escola de manhã à noite,
de ter de estar sentada na mesma carteira tantas horas…
 do intervalo ser tão curto que tenho que escolher entre comer ou brincar
(conseguem adivinhar qual é que eu prefiro? Eu até já pedi à minha mãe que me mande iogurtes líquidos, em vez dos de colher só para não ter de me sentar!)
 e , …
turma_mista21

A nostalgia dos sessenta

Lembrei-me do passado, dos meus colegas de curso do Magistério de Faro (75/77) e de Beja(77/78). Destinos diferentes: os que desistiram da profissão e abraçaram outra profissão, os que nos deixaram prematuramente, os que já se aposentaram e os que continuaram professores no ativo, mas de quem perdi o rasto. Retomei contactos esporádicos com alguns via facebook. Podia aqui colocar nomes, mas prefiro ficar com eles na minha memória, enquanto ela me ajudar. De alguns cujo relação foi menos próxima, confesso, que depois de tantas voltas que 30 e tal anos de vida dá, já não me lembro.

Se este texto servir para reencontrar algum colega ou ex-colega, algures por esse país fora, – os de Portimão ainda vou encontrando alguns- já valeu a penas, ou será mais uma prosa inútil de auto satisfação da nostalgia dos sessenta.

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