Mais um comentário no Quintal do Guinote

A mim, o que me deixa mesmo, mesmo, mesmo, piurso, é a estratégia das listas com 20 reivindicações.
Por partes:
Um – antes das negociações com o governo propalam-se 20 reivindicações quase todas começadas por ‘Não à…’. Já daqui se vê a pertinência das exigências sindicais a satisfazer.
Dois – Consegue-se que o governo atenda a 12 reivindicações de mer… errhhhh, de importância residual. (Era o que eu queria mesmo dizer: residual. Isso!)
Três – Não se consegue que uma única reivindicação com profundidade tenha sido atendida. Mas, como 12 das 20 reivindicações foram atendidas, declara-se vitória. Yupppiiiii, e isso.
Três ponto um – Vitória, vitória, vitória e tal!
Quatro – No ano seguinte, o pessoal do sindicato apercebe-se que os, por assim dizer, colegas estão descontentes. Apercebe-se que afinal está tudo na mesma. Ou pior.
Cinco – Perante a evidência de que se acrescentaram problemas e injustiças às injustiças e problemas já existentes, o Sindicato, pá! parte pr’à luta. E tal.
Seis – Vai daí que é necessário uma lista de reivindicações. (Fácil. Basta juntar três problemas novos aos doze vindos das lutas, pá! anteriores). Escolhem-se, portanto, vamos dizer, trinta e duas reivindicações.
Sete – As reivindicações de importância residual foram satisfeitas, após várias greves, uma manifestação no Terreiro do Paço, muitas bifanas e três ou quatro rondas negociais. Vitória, pá! camaradas, pá! Yuppppiiiiii! E assim…
Oito – Com espanto, os delegados sindicais apercebem-se que os colegas, pá! esses insatisfeitos mal-agradecidos, teimam em achar, hum!… que as 15 reivindicações mais importantes ficaram por resolver!… Bolas, pá! Então e o rabiosque lavadinho com aguinha de malvas? Ahhh, pois…
Nove – Perante a evidência de que se acrescentaram problemas e injustiças às injustiças e problemas já existentes, o Sindicato, pá! parte pr’à luta. E tal. Mais uma vez. Uma maldita última e derradeira vez (também não pode ser nem muito última, nem muito derradeira, qu’isto do trabalho sindical é bué d’importante!…)
Dez – E, cá está! vai daí que é necessário uma lista de reivindicações. (Fácil. Basta juntar três problemas novos aos quinze vindos das lutas, pá! anteriores). Escolhem-se, portanto, vamos dizer,quarenta reivindicações.
Onze – As reivindicações mais frouxas e cinzentas foram satisfeitas, após várias greves, uma manifestação do Marquês até ao Terreiro do Paço, muitas bifanas, algumas imperiais, duas idas ao Colombo e três ou quatro rondas negociais. Vitória, pá! ganda luta e ganda vitória, camandru! camaradas, pá! Yuppppiiiiii! E isso tudo e tal…
Doze – Com espanto, (é o espanto que faz avançar a Humanidade) os delegados sindicais apercebem-se que os colegas, pá! esses insatisfeitos desagradecidos, teimam em achar, hum!… que as 18 reivindicações mais importantes ficaram por resolver!… Bolas, pá! Então e o rabiosque lavadinho com aguinha de malvas? E colinho? Ahhh, pois…

Alcatrao2

 

O professor hoje não pode ser um piegas

Não pode sentir-se velho, não pode sentir-se frágil, não pode sentir-se enganado, não pode sentir-se injustiçado.

O professor hoje tem de ser um herói destemido, que avança intrepidamente, contra ventos e marés que lhe colocam pela frente.

O professor  hoje só deve contestar a sua sorte, a horas certas, nos dias próprios, nos locais indicados. O professor hoje não deve ser um rebelde, sob a pena de ficar isolado, mal tratado ou ostracizado pela maioria dos colegas.

O professor hoje deve evitar pensar em excesso pela sua cabeça.  O professor hoje deve limitar-se a cumprir ordens. O professor  hoje, não deve confiar demasiado em rotinas, amanhã já tudo pode ter mudado. O professor hoje deve ter memória de elefante e saber voar. Ao mínimo esquecimento pode cair num buraco.

Eu já não posso ser o professor  hoje, apesar de tudo amanhã vou voltar!

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Dedico este post ao meu amigo Luís Costa como prova de solidariedade com o seu percurso de professor.