Professor está entre as 10 finalistas a palavra do ano

A luta pela contabilização dos nove anos, quatro meses e dois dias do tempo congelado é uma das justificações para a presença de “professor” nas candidatas a palavra do ano. O dicionário descreve essa palavra como um nome masculino de uma pessoa que ensina uma ciência, uma atividade, uma arte. Mas é muito mais do que isso.
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O ar no ensino tornou-se irrespirável, porque é uma profissão que se desumanizou….A tutela tem uma oferta quantitativa desmesurada e faz o que lhe dá na real gana…

A sociedade mudou muito, os conglomerados de ensino trouxeram burocracia em excesso e mensurabilidade de práticas, em folha de Excel…como o resto da meritocracia envolvente, modelos que importámos.

A consequência de tudo isto é que a noção, sentimento e sentido de compromisso que “O contrato social” (como lhe chamou Rousseau), propunha entre os cidadãos e o estado esfumou-se, neste virar de século……e deu lugar a esta Babel, de excessos e insanidade, em que ninguém se entende e todos, provavelmente, têm razão…

Sou professor e desisti… João Lima

Fonte: http://professorimperfeito.blogspot.com/

||| … das coisas que mais me custam é saber que desisti desta escola. não acredito em nada do que ela representa. resta só, ainda, ser um lugar onde estão todos. a escola que eu sonho não é esta. nunca foi. nunca será. e quem está mal, muda-se. assim o fiz. lutei anos e anos, perdi muito mais do que ganhei, por tudo aquilo que acreditei poder ser uma escola de liberdade, conhecimento e curiosidade. o sentido é o inverso. e tudo parece correr bem. queria uma escola sem muros. de portas abertas. de gente que sabe e que aprende. de partilhas. de leituras. de conversas. acredito que a escola pode ser tudo isso. nunca deixarei de acreditar. não há lugar para mim neste sistema. mesmo tendo tentado mais do que devia. é tempo de fechar as portas. é-se professor. é uma essência que nos define. não é uma profissão. mas há um tempo para tudo. para acreditar. e para ver que estamos a mais. que errámos demais. que falhámos, connosco e com os outros. mas acima de tudo, porque não conseguimos mudar nada. por isso, cada palavra que poderia vir a escrever aqui no futuro seria desligada da realidade. e nada há de mais triste do que isso. não deixarei de acreditar, nunca, noutra escola. nunca. mas isso agora será só um pensamento no silêncio dos deuses…

Não desistam!