Alunos de mérito não querem ser professores

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Os melhores da turma estão atentos nas aulas, gostam de ter a matéria na ponta da língua e valorizam os professores, mas seguirem essa carreira não é opção. “É uma profissão subvalorizada em Portugal, que não tenciono seguir”, disse uma das jovens contemplada com medalha e diploma de mérito e excelência. 

Os alunos reconhecem ao professor a nobre missão de lhes ensinar a matéria, mas também a transmissão de valores que os vão moldar no futuro. Há até aqueles que se inspiram no professor e lhe apanham traços da personalidade. Mas, no que respeita à profissão, o caso parece mudar de figura. O MIRANTE questionou alguns dos melhores alunos de 3º ciclo, que foram distinguidos na sexta-feira, 30 de Novembro, na cerimónia de atribuição de mérito e excelência escolar do concelho de Vila Franca de Xira.

Irrequieta e expressiva, Manuela Pinheiro, 15 anos, é uma das alunas premiadas da Escola Secundária Alves Redol. Não responde com certeza, mas diz que no futuro quer ser neurocientista. Ser professora não entra no leque de opções porque “a profissão de professor é muito subvalorizada em Portugal”. Entende ainda que “é uma profissão muito complicada de seguir hoje em dia”, por todas as dificuldades de colocação e progressão na carreira que a classe enfrenta.

Não ter paciência para ensinar ou lidar com alunos é o motivo que Margarida Miranda, de 15 anos, outra aluna premiada da Escola Secundária Alves Redol, encontra para dizer não à profissão de professor. A mesma opinião tem Catarina Torrão, de 15 anos, da Escola Dom António Ataíde, que também recebeu nessa tarde o prémio de mérito escolar. “Os professores têm um papel muito difícil. Ensinar jovens não é fácil e não me consigo imaginar a fazer isso no futuro”.