Se Eu Fosse Sindicalista

No início da minha carreira (será que posso dizer que ainda tenho uma carreira?) havia uma moda, muito “in” que era a de começar composições em Língua Portuguesa por “Se… Se eu fosse…” Ora, relembrando esses tempos, vou fazer a minha “composição”- “Se eu fosse um Sindicalista…”

Depois de tantas negociações, de greves por fracasso das negociações, de manifestações para pressionar negociações, de faixas e cartazes, de um lado a dizer “INTRANSIGÊNCIA” e do outro a gritar “FARSA”, durante um ano inteiro e mais milhentos meses, não se aguenta o RECOMEÇO desta ladainha afantochada processual.

Se eu fosse um sindicalista, não avançava com qualquer pedido de negociação. Que viesse a Convocatória em termos aceitáveis para retomar as negociações-primeiro ponto. Impunha à partida, respeito a quem tem “gozado” desde o primeiro momento com a classe docente e que, já depois do Senhor Presidente da República ter devolvido o malfadado Decreto, que dizem “TER RESULTADO DE NEGOCIAÇÕES” não se inibiu de emitir um comunicado, que é todo ele uma nódoa, uma ofensa, uma provocação. O governo reinventa a realidade à sua maneira e afirma o que não se passou: -tal como o Decreto-Lei não resulta de negociação, a recuperação total do tempo não foi chumbada na Assembleia, os professores e educadores não iriam receber qualquer tempo de serviço a 1 de janeiro de 2019, 70% de um escalão de 10 anos (7anos) não é“equitativo” a 70% de um escalão de 4 anos (2 anos, 9 meses e 18 dias) porque só no entender deste GOVERNO malabarista, 4 é igual a 10…

Fátima Brás