No blog “Certas Palavras” A Língua Portuguesa no País Basco

Sabia que há alguns milhares de alunos de português na Galiza e na Extremadura espanhola. Não sabia — até ser convidado para lá ir — que também havia alunos de Português em Bilbau. Confesso que não sabia quantas pessoas me esperariam. Tanto quanto sabia, podia ir falar com um pequeno grupo de cinco ou seis pessoas.

Tive uma surpresa. A sala estava cheia. Fiquei feliz, embora um pouco nervoso. O Xavier já me tinha avisado que convinha não falar muito depressa, pois alguns dos alunos estavam a começar agora a aprender português. Fiz o meu melhor para não acelerar a fala, mas não sei se fiz o suficiente — seja como for, todos ouviram com atenção, sorriram e riram, o que significa que perceberam alguma coisa. Falámos das delícias da língua, das palavras do meu filho, dos animais escondidos no português, dos malentendidos entre falantes, dum pouco de História, de palavrões, da fonética portuguesa (que tanto arrelia quem tenta aprender a língua) e de mais umas quantas coisas…

Pelo menos naquela sala, o entusiasmo pela nossa língua é grande. Perguntei quais as razões que os levaram a aprender português. Não, não estava perante familiares de portugueses ou brasileiros (talvez houvesse um ou outro, mas não se acusaram). Os alunos que responderam disseram coisas curiosas: Portugal está perto e é bom aprender a língua para conversar melhor com os portugueses; é também muito bom ler mais e ouvir notícias em português, que ajudam a ter uma perspectiva diferente sobre as notícias; e havia quem quisesse ler literatura em português no original…


Sem que ninguém por cá desconfie, há dezenas e dezenas de pessoas a aprender a nossa língua em Bilbau.

Como alguns pais criam os seus filhos

“Estou farta da má educação de uma percentagem cada vez maior de alunos e do protecionismo dos pais”, escreveu a professora Eva Valderas, numa intervenção divulgada por um jornal espanhol. “A mim pagam-me para ensinar, não para aguentar”, diz ela, farta da crescente má educação.

Reuniões com os grupos parlamentares

https://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=11749

As organizações sindicais de professores prosseguem o ciclo de reuniões com os grupos parlamentares da Assembleia da República. Depois dos grupos parlamentares do PCP e do PEV, esta quinta-feira, os sindicatos de professores reuniram os deputados do PSD e, logo de seguida, com os deputados do Bloco de Esquerda. As audiências mantêm-se, prevendo-se para dia 23 de outubro a reunião com o CDS-PP. Reuniu hoje com o PS.

“… não vamos andar com abaixo-assinados ou pequenas concentrações. Prevemos uma grande manifestação – não só da Fenprof como de outros sindicatos – para este segundo período e, provavelmente, uma consulta aos professores, onde vamos perguntar tudo”, afirmou ainda o secretário-geral da Fenprof.

A identidade profissional da professora no olhar de uma antiga aluna

No começo de um novo ano, tempo em que passado e presente trocam testemunhos, aqui vai mais uma história, totalmente verdadeira, em que apenas os nomes são fictícios.

Anabela e Margarida nutrem uma amizade profunda que se foi desenvolvendo quando a primeira era professora da segunda; uma amizade que tem crescido e as tem mantido unidas, apesar da diferença de idades.
– Não serias capaz de me chamar apenas Anabela? – perguntou Anabela a Margarida.
– Não. Acho que não.

E a justificação de Margarida para esta resposta negativa comoveu tão profundamente Anabela, que esta lhe pediu que escrevesse o que acabava de lhe dizer. Pouco tempo depois de regressar a casa, recebeu o seguinte email de Margarida:

Em relação à nossa conversa, pouco tenho a acrescentar. Na verdade, “Professora Anabela” é como a vejo, é o seu verdadeiro “eu” para mim. Com toda a sua ternura, carinho, dedicação, companheirismo, incentivo, amizade, vocação. Remover o “professora” não é remover-lhe um estatuto, mas uma identidade, criada por uma criança (na altura, eu). Não quero perder esses sentimentos enraizados, essa identidade bonita sobre a pessoa que foi, que é, nem tão pouco desvanecer a importância que teve na formação do meu futuro.
Sim, era como se eu deixasse de chamar Avó Antónia ou Avô Luís e passasse a chamar-lhes somente Antónia ou Luís. Sinto que metade da minha história com essas pessoas, consigo, caso isso acontecesse, era apagada.
Não é o peso do nome, mas o peso da emoção.
Margarida

Anabela leu esta mensagem eletrónica com uma emoção indescritível por palavras, uma emoção reforçada pela beleza e autenticidade com que os sentimentos estão expressos, uma emoção de intensidade redobrada, pois já a sentira antes na conversa citada. Margarida tem hoje 30 anos. Foi aluna de Anabela dos 10 aos 15 anos, no 2º e no 3º ciclos. Anabela era também a diretora de turma. A relação que estabeleceu com toda a turma e respetivas famílias, tão próxima, forte e duradoura, foi-se desenvolvendo a partir de um trabalho relacional, em que a colaboração entre a escola e a família não derivaram de um projeto escrito e aprovado em reuniões, de um projeto avaliado e revisto em mais reuniões, com relatórios a comprovarem o trabalho desenvolvido e atas a atestarem a sua avaliação. Foi, no entanto, um trabalho pensado, refletido, adequado à turma, a cada aluno e a cada família. Um trabalho avaliado no quotidiano e reformulado sempre que necessário, inscrito num projeto firmado por escrito e aprovado pelos intervenientes, com uma carga burocrática mínima: a indispensável. Era um tempo em que a burocracia não esgotava o tempo e as energias dos professores, um tempo em que os papéis e as reuniões não castravam a autenticidade e a plasticidade das relações humanas. Um tempo em que era possível desenvolver um trabalho intencional, ajustado, coerente e criativo. Um tempo em que “viver” era mais importante do que “dar conta de”, sem que tal significasse ausência de prestação de contas.

“Remover o ‘professora’ não é remover-lhe um estatuto, mas uma identidade”, dizia Margarida. 

Essa identidade é a identidade profissional de Anabela. Aquela identidade em que sempre se reconheceu e que viu ser respeitada e reconhecida pelos alunos e pelos pais, com mais intensidade quando era diretora de turma e podia, no desempenho desse papel, desenvolver um trabalho colaborativo de professores, alunos e famílias, em resposta às necessidades que detetava em cada uma das crianças e na turma em geral. Uma identidade caraterizada por (novamente nas palavras de Margarida) “toda a sua ternura, carinho, dedicação, companheirismo, incentivo, amizade, vocação”.
Anabela adoeceu. Não se reconhece na nova identidade que hoje é atribuída aos professores, de há largos anos desrespeitados por governantes e sociedade em geral, com horários esmagadores, com um número de turmas e de alunos que impossibilitam um verdadeiro trabalho relacional, com exigências burocráticas que se sobrepõem às relacionais que caraterizam o que Anabela considera dever ser um professor.

Os resultados do trabalho de um professor não se veem apenas no presente. Assim o comprova Margarida, que não quer “desvanecer a importância que [Anabela] teve na formação do [seu] futuro”.

Inicio o ano de 2019 com esta mensagem de Margarida para Anabela, uma mensagem que muitos professores merecem ouvir/receber dos seus (ex-)alunos. Faço-a acompanhar dos meus votos para que este seja um ano mais justo para professores e alunos; um ano mais justo para a escola pública, que tanta importância tem na formação de cada cidadão e no futuro de um país, do nosso país.

Fim de janeiro quase em fevereiro

Vai entrar o mês de fevereiro e o estudo da estratégia de luta continua na gaveta. A agenda contemplará certamente ações mais próximas do período pré eleitoral, um esforço suplementar para evitar a catastrófica maioria do PS.

Aqui, pelo terreno do trabalho quotidiano, a vida está difícil, com as gripes de alunos e professores e frio nas salas de aulas.


Os professores deveriam poder reformar-se aos 60 anos, -para alguns esta intenção já vem tarde- pois a sua profissão é de desgaste (físico e psicológico) superior a algumas outras.

Dois ministros a mesma determinação!