Democracidas – Luís Costa

António Costa diz que a greve dos enfermeiros é selvagem. Algo semelhante já foi dito relativamente às greves de professores, sobretudo as que afetaram as avaliações. E recrudesce a cruzada contra o direito à greve. Ninguém assume esse estandarte ― seria desastroso ― mas, na prática, o que se faz, de forma cada vez mais desinibida, é combater cada greve, dando ênfase aos prejuízos causados e tentando, perfidamente, classificá-los como ilegítimos. E já estamos, creio eu, a um passo de serem considerados criminosos. Recapitulemos.

Outrora, em tempos de democracia mais “pueril”, os políticos reagiam às manifestações, sobretudo àquelas que juntavam o descontentamento à expressividade quantitativa: ouviam os manifestantes, procuravam tomar medidas… e até se demitiam. Maria de Lurdes Rodrigues inaugurou esta nova era em que estamos: a da surdez institucional, a do desprezo político, relativamente a esta genuína e ordeira forma de expressão da democracia e da liberdade.

Outrora, os políticos respeitavam as greves, não só porque não as invectivavam publicamente, porque não as associavam à irresponsabilidade civil ou aos limiares do crime, mas porque teciam considerações relativamente aos números da adesão, tidos como barómetro do descontentamento. Mas também nesse campo os políticos se tornaram cegos, surdos e mudos, quando a greve não ultrapassa determinados limites (os do incómodo). Dizem, então, que a greve é um direito dos trabalhadores, e vão à vida, contentes, indiferentes e incólumes.

Face a este desprezo antidemocrático ― cansados de reivindicarem em vão, de argumentarem com a surdez, de se queixarem ao desprezo e ao sarcasmo ― os trabalhadores, cientes das suas razões e carentes de justiça, “aprendem” a endurecer a luta: fazem greves cada vez mais contundentes. Então, os políticos rogam exércitos de juristas para lançarem o Direito contra a greve e contra quem a usa, democraticamente, como legítima forma de protesto.

São cegos, irresponsáveis e incendiários, os políticos que vão por este caminho. Cansados de tanta indiferença, de tanto desprezo e de tanta soberba, os trabalhadores, mais tarde ou mais cedo, passam ao estágio seguinte: o da violência. Então, os políticos ― os mesmos que atearam este fogo ― lançarão contra eles a polícia e, se necessário, o exército. É assim que os falsos democratas matam as democracias.

Pelo Educare

O Meu Quintal

E fica aqui a terceira peça para publicação “externa” esta semana. Tal como os textos no Público (2ª feira) e no JL/Educação (4ª feira), foi escrito com alguma antecedência. Confesso que, dos três, este é o que mais me divertiu, quase por certo por ser o que afronta mais o neo-eduquês que se está a instalar de novo no discurso “pedagógico” do Poder..

Da Utopia à Ficção Útil

O discurso sobre a nossa Educação está repleto de referências a “utopias”. De forma recorrente surgem políticos e pedagogos a justificar as suas opções com o caminho em direcção a uma “utopia” que eles consideram ser o “sonho” que a todos deve mover e que por ser inalcançável por definição impossibilita qualquer avaliação da sua validade.

pg contradit

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Escolas portuguesas livres do amianto em 2020

dn.pt/edicao-do-dia/31-jan-2019-há-42-escolas-onde-o-amianto-esta-por-remover


Já no início deste mês, o Sindicato de Todos os Professores (STOP) exigia a retirada do amianto das escolas, com base num levantamento que apontava para “cerca de cem estabelecimentos com aquela substância comprovadamente cancerígena”, afetando assim alunos, professores e funcionários, no âmbito de um problema de saúde pública.