De como Natália previu a ida de Marcelo ao bairro da Jamaica

A Estátua de Sal

(Por Carlos Esperança, 10/02/2019)

natalia

Com um quarto de século de defunção, ressoam ainda os versos iconoclastas, de rara beleza, que fizeram da lutadora pelos direitos humanos e a igualdade da mulher uma personalidade singular e escritora de exceção.

Houve sempre, em Natália, demolidora de mitos, que rasgou convenções, a paixão desmedida, o desassombro e a verrina. Era uma mulher que enchia os espaços por onde circulava, abalroava o moralismo e reduzia à insignificância os moralistas e trogloditas que se julgavam referências éticas e sociais.

O deputado João Morgado, luminária do CDS vinda de Lamego para comunicar ao País que o ato sexual só era legítimo para fazer filhos, sentiu que o humor inteligente derruba a hipocrisia e põe a nu a superficialidade de um catequista paroquial.

Nos seus versos repentistas, pôs o Paramento a rir e o CDS envergonhado:

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim…

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