Luís Costa – A cartilha antigrevista do governo

1- Instala a hipocrisia negocial, fazendo cedências simbólicas, mas sendo arrogantemente intransigente no que é a verdadeira substância das reivindicações. O Governo já decidiu, há muito, quem são as “ovelhas do regime”. É com o seu sacrifício que erguerá e manterá o altar orçamental.

2- Saturados da parede governamental, os servidores do Estado são obrigados a endurecer a greve. E Governo mantém a fachada social do falso apelo à negociação. Paralelamente, lança campanhas de desgaste da imagem pública da classe reivindicadora, procurando virar a opinião pública contra ela. É já um padrão do qual fazem parte notícias que, partindo de um caso particular negativo (ou vários), se faz o alastramento e a generalização da mancha.

3- Se a greve atinge um ponto culminante, o Governo “bota a mão” à Justiça e atira-a contra os grevistas. Estanca imediatamente o fluxo negativo provocado pela greve, e depois… logo se vê. Aprendeu com a greve às avaliações, no final do ano letivo transato, e replicou agora o procedimento na greve dos enfermeiros. Mais tarde, no caso dos professores, o Tribunal decidiu que o Governo tomara decisões ilegais, mas… entretanto… já tudo voltara à (a)normalidade, apesar das facadinhas na Democracia e no Direito. Veremos o que acontece com esta requisição civil dos enfermeiros.

Só é realmente muito estranho (mas muito mesmo) que estes “democracídios” sejam obra de um Governo descendente de um dos pais da nossa democracia!