Depoimento do ministro ao Expresso

Que dias os daqueles anos! Foram tantos, e tão marcantes, aqueles 4 anos na Escola da Vila, onde já antes, ocasionalmente, ia com a minha mãe – também ela professora primária, numa escola de outra freguesia – ou esperar o meu primo mais velho, que já ali estudava, e que era o companheiro de tardes e tardes de carrinhos de rolamentos na nova estrada que unia as nossas casas.

Entrar naquela escola implicou fortes e duros sacrifícios, que pareciam montanhas difíceis de transpor: manter-me sentado na sala de aula, falar maioritariamente quando me diziam que podia falar, e tratar as professoras por professora, quando eram para mim, com apenas 6 anos e desde sempre, as colegas e amigas da minha mãe. Agora tinha que dizer: a dona Milú, a dona Maria da Luz, a dona Ester, a dona Fernanda, a dona Guida e a dona Gracinda. A minha prima Gracinda, que depois ainda foi minha professora do 4.º ano, e a quem também me dirigia, estranhamente, com toda aquela deferência…