S.TO.P – greve no dia 8

A Direcção nacional do sindicato S.TO.P., convidada pela Rede 8M a juntar-se à greve no dia Internacional da Mulher (trabalhadora) e tendo em consideração a auscultação via redes sociais (ver sondagem), decidiu favoravelmentepermitindo a adesão de qualquer docente, mulher ou homem, à greve ao trabalho assalariado, incluindo tod@s @s professor@s e educador@s do continente e das ilhas dia 8 de Março de 2019.

Nenhum docente poderá ser impedido de aderir à greve!

Também me sinto assim

Paula Coelho Pais

10 h · 

O DESGASTE

Comecei a sentir os primeiros sinais de desgaste por volta dos 46 anos. Mais ou menos quando me surgiram os primeiros sintomas de pré-menopausa. Faz falta à sociedade entender o processo de envelhecimento. Podemos ter ainda muito a dar à sociedade mas já não da mesma maneira, nem nos mesmos ambientes, nem ao mesmo ritmo. E o “envelhecimento ativo” não é o que muitos julgam. Neste momento sinto que posso escrever e realizar determinadas tarefas mais calmas. E tenho talvez maior maturidade e experiência para lidar com situações e analisar fenómenos da vida. Mas custa-me imenso estar em ambientes ruidosos, sobretudo se houver vários estímulos auditivos em simultâneo. Não consigo andar “à pressa” e tenho alguns lapsos de memória. Vejo mal, mesmo com óculos e sofro de uma hipoacusia bilateral que me torna extremamente dolorosas as ressonâncias. Canso-me mais rapidamente, o coração não se comporta já como antigamente e demoro uma semana a recuperar o que há cerca de dez anos conseguia fazer de um dia para o outro. Aos quase 58 estou assim e sou Professora. 
Pode ser que outras pessoas tenham uma perceção diversa da idade. Mas o meu testemunho é esse. E concordo com o título do seguinte artigo ( http://www.50emais.com.br/percebi-que-a-velhice-e-um-gran…/…) de Érica Barros Malta Supervisora de Enfermagem do Lar Sant’Ana, em São Paulo, publicada no Portal do Envelhecimento e republicado por Maya Santana na página “50emais” (www.50emais.com.br/). Realmente sinto que a “idade é um grande encontro com a gente mesma”. Para isso precisamos de mais tempo e de mais serenidade. Temos o nosso testemunho de vida a passar aos mais novos e podemos ser uma mais valia nesse ponto. Mas alguém se preocupa com isto? Não falo obviamente só de mim. Eu sou um mero caso. Mas quantos milhares de pessoas passam pelo mesmo? Não é por vivermos supostamente mais anos que vamos prolongar a eventual juventude com todas as suas características, por muito mais tempo. Vivemos mais anos? Talvez. Mas a idade está lá. Vamos respeitar? Reforma aos 60 anos de idade para todos. Se não puder ser aos 55, que é quando deveria ser. Ou então que se repense seriamente e urgentemente numa modalidade diferente de trabalho para todos acima dos 50 anos de idade.
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Paula Coelho Pais
Lisboa, 4 de março de 2019