ANDAMOS TRISTES – Paula Coelho Pais

Percorro as páginas dos meus amigos. Faço pausas. Não consigo responder como gosto e costumo. Escrevo devagar. Leio. Paro. Volto atrás. Deito-me. Durmo. Adensa-se a minha tristeza. Contenho lágrimas tantas vezes. Tento recuperar. É difícil. As notícias más atropelam-se num Mundo em convulsão. A Natureza revolta-se. O sangue molda-se às veias contraindo-as de aflição. A tensão sobe. Paro de novo. As pessoas agridem-se. A incompreensão cresce. Muitas procuram ajudar-se. Combater os sintomas das sombras. Mas a luta é árdua. Os interesses económicos sobrepõem-se às necessidades da vida. Há sempre poderosos que vêm dos confins da História e não estão dispostos a perder os privilégios. Seja onde for. Atacando o próprio povo de quem deviam cuidar. Foi sempre assim. A Humanidade está cansada de que seja sempre assim. Por todo o Mundo, assim. As injustiças entraram em descontrolo como numa ladeira a pique. Feitas à luz do Sol como se já nem houvesse vergonha. O planeta sofre e clama por ajuda. Há uma certa incredulidade no ar que nos tenta paralisar. E nós, andamos tristes. Sorrimos, sim. Tentamos ainda fazer algo. Pensamos. Falamos. Escrevemos. Manifestamo-nos. 
Vamos seguindo o nosso caminho. Por vezes ainda sorrimos. 
Mas andamos tristes.
E tentamos recuperar as forças. Para voltar à luta.

Paula Coelho Pais
Lisboa, 18 de março de 2019

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