Tiago acusa Nogueira de falta de vontade de negociar – Entrevista ao Observador


“A Humanidade e os Direitos Humanos não se adiam e, mesmo que seja de um grupo relativamente pequeno dos nossos estudantes, nunca se podem discutir com leviandade, leveza, com esta irreflexão, sem prudência e sem pensar. Isso aconteceu, pensando em angariar e caçar um conjunto de votos. E também demonstrou algo muito claro: que a direita está tão à rasca que se entrincheirou e, ao acantonar-se, acabou por meter-se e agarrar-se às casas de banho. Estando tão à rasca, foi a única saída que viu e fez uma triste figura porque não entendeu que estávamos a falar de pessoas, famílias e escolas em concreto”, afirma o ministro da Educação.

No entender de Tiago Brandão Rodrigues, “eles [CDS] tentaram adensar uma discussão para mostrar a forma como são inflexíveis, intolerantes, como não respeitam a diferença e como acham que a sociedade só pode ser como eles entendem que pode ser: à sua imagem e semelhança, muitas vezes para esconder os seus medos e as suas vicissitudes”.

Ainda assim, quando questionado sobre se a sociedade está fraturada por agendas partidárias nos assuntos relacionados com a sexualidade, Tiago Brandão Rodrigues assegura que não governa com ideologias. “Alguém pensa verdadeiramente que o Ministério da Educação governa com a ideologia do BE ou de quem quer que seja? O Governo constrói políticas públicas, quando acredita que vão ter consequências positivas para quem usufrui delas. Foi o que aconteceu neste caso e na lei da identidade de género.”

Na entrevista, Tiago Brandão Rodrigues fala ainda das exigências dos professores relativamente às carreiras e à reposição do tempo de serviço, assumindo-as como “legítimas”, mas deixando críticas duras à atuação do líder da Fenprof, Mário Nogueira. “Tudo o que os professores entendem como legítimo é legítimo para eles“, assegurou Brandão Rodrigues. “Mas nunca criámos expectativas relativamente a uma reivindicação que não estava no programa eleitoral, nem no programa do Governo.”

Mário Nogueira esteve bem mais preocupado com os cinco, dez minutos que foi tendo fora deste edifício, quando encontrava os jornalistas, para dizer alguns soundbites ou construir algumas parangonas, do que esteve com as reuniões dentro da concertação social. Com isso, foi desgastando a imagem dos professores“, acrescentou ainda o ministro da Educação.

O abandono escolar na Europa (2000-2018) – 2ª parte — A Estátua de Sal

O abandono escolar no período 2000/2018 reduziu-se claramente, na Europa, passando de 17% para 10.6% da população jovem, mantendo-se um abandono mais pronunciado no sexo masculino. Em Portugal a quebra foi muito pronunciada passando do segundo pior indicador em 2000, para valores pouco acima da média da UE em 2018.