Subir de escalão para ganhar menos, não obrigado

https://www.publico.pt/2020/01/17/sociedade/noticia/6000-professores-chegaram-topo-carreira-ultimo-ano-1900617

Mais de 6000 professores atingiram, no ano passado, o 10.º escalão, o mais elevado da carreira docente, que estava até agora praticamente vazio. Este é um dos resultados do descongelamento das progressões na função pública e também dos primeiros efeitos da recuperação do tempo de serviço…

Todos diferentes… porque já nao há iguais

Precisamente hoje, em algum lugar no país, no seio de tantos professores a sentirem-se sós, mais só ainda, um professor senta-se e chora.
Precisamente hoje, uma atacante que agrediu uma juíza, ficou detida.
Mas depois, naturalmente, quando um agente da autoridade é agredido, enquanto ainda está a preencher o auto de ocorrência, já o criminoso foi solto.
Em qualquer outro lugar, criminosos agridem médicos e saem com simples termo de identidade e residência.
Em todo o lugar, professores que se tornam sacos de pancada de criminosos malformados que os espancam, esfaqueiam, matam os filhos que as professoras carregam no ventre, incrédulos veem os agressores saírem em liberdade e ainda se vangloriarem diante dos órgãos de comunicação social daquilo que fizeram afiançando que ainda deveriam ter feito pior.
Tudo assuntos que são silenciados.
Então a desigualdade entre os cidadãos torna-se bem visível.

Para bem da verdade se diga que tudo isto passa uma mensagem de impunidade para quem cometa um crime contra qualquer cidadão, desde que não o pratique sobre um magistrado.

O que é grave não é assistir à detenção de uma pessoa que agride uma juíza.
O que mais me impressiona é ver as pessoas que agridem agentes da autoridade, médicos e cada vez mais professores, invariavelmente saírem sempre em liberdade.
Todos somos humanos, mas o valor da nossa vida, da nossa integridade física e moral tem valores diferentes dependendo da profissão que desempenhamos.

É bem verdade que tudo isto está a acontecer por algum motivo. Ainda não esqueci os dias em que não queria ligar a televisão, por saber que falavam mal de mim, mal de todos nós que abraçámos a profissão de ensinar.
Não foi assim há tanto tempo que os detentores de tempo de antena e de poder competiam entre si a ver quem mais conseguia denegrir e admoestar aqueles que ensinavam e que, não raramente, educavam os filhos dos outros.
Como professor, que vai assistindo à crescente onda de maus-tratos infligidos aos meus colegas em serviço, não posso deixar de lamentar a falta de apoio dos órgãos de soberania que não levantam a voz para os defender com a mesma vontade com que a ergueram para os vilipendiar e insultar ao longo de tantos anos. E o pior foi uma sociedade que se tornou parente deles.
Dá-me pena perceber que este é, agora, o nosso habitat.

Quando se torna banal um professor ser humilhado na sua dignidade pessoal e profissional sem que ninguém se preocupe com isso continuando a dormir descansadamente, conseguimos perceber que valores temos, em que tipo de sociedade nos tornámos e as pessoas que somos.
Durante as noites em que desaprendi a sonhar penso nessa indiferença de tanta gente que já não precisa da verdade. Como já não consigo dormir, espreito para além da escuridão onde alguém respira medo e desilusão.
Algures ao longe, a sentir-se ainda mais só ensimesmo, mais um professor senta-se e chora o nascimento do medo e do desencanto num lugar onde, entre os diferentes, já não há iguais.
Carlos Santos

terra da fraternidade e igualdade
Onde estão as promessas de abril?

A Tentar Arrepiar Caminho?

O Meu Quintal

O que seria uma boa decisão, a aceitar sem reservas, no actual contexto pode agravar a situação de escassez de docentes em alguns grupos disciplinares.

É o risco de governar na base da incoerência, reagindo aos fenómenos apenas quando eles chegam em força à comunicação social e não quando a onda se está a formar.

Esta medida poderia (e deveria) ter sido colocada em prática – sem os truques de última hora que costumam surgir quase sempre nestes casos – há alguns anos, evitando o esgotamento de uns, o abandono de outros e ainda a desistência de muitos “novos”.

O Ministério da Educação (ME) admite que os professores com mais de 60 anos possam, se assim quiserem, deixar de dar aulas e passar a desempenhar outras actividades nas escolas.

Colocando as coisas de forma clara, nos últimos 15 anos, o PS governou a Educação em mais de 10 e…

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