Cargos De Professores Devem Ser Atribuídos Preferencialmente A Docentes No Topo Da Carreira? — ComRegras

Polémico, mas pertinente o comentário do Luís Braga. Este é daqueles assuntos que se sussurra pelas salas de professores, onde existe um evidente mal-estar pela diferença salarial e cargos não letivos exercidos. …

Um pensamento simples que me vai fazer perder as eleições em que me envolvi. Mas que se lixe. O meu fígado precisa desopilar. Acho que os docentes, com menos de 50 anos, estagnados entre 3o e 5o escalão, ou antes, deviam lançar um protesto nacional, demitindo-se de todos os cargos nas escolas e obrigando quem tem redução letiva a exercê-los. E deviam lancar uma greve nacional, sem prazo, à função de diretor de turma, a mais burocratizada de todas. Ocorreu-me isto ao ter ido rever o quadro salarial BRUTO da carreira docente. O líquido para um solteiro sem filhos é uns 33% menos em cada escalão (o liquido é uns 2/3 do bruto). Eu estou no 3o escalão, devia estar no 7o. Ao 10o, que o Mario Nogueira inventou, maquiavelicamente, para aceitar, contra o interesse geral da geração posterior à sua, vagas e outros travões, nunca chegarei. Mesmo assim, considero ofensivo, quando alguns acham que me “elogiam” e me perguntam o que ando a fazer como professor, quando podia fazer outras coisas mais bem pagas. Até hoje fui sempre pedagógico e educado. Que tal pagarem-me, como “acionistas” representados pelos deputados, o que é devido? A esses, só digo que, se querem pagar salários medíocres, só ficarão com gente medíocre. Ou gente sobreocupada porque, para garantir rendimentos, precisa de acumular outras coisas. Aos docentes que estejam nos escalões mais altos, e digam que não trabalham “porque já trabalharam muito“ (não digam que nunca ouviram), só digo… o trabalho passado foi pago no passado; hoje, recebem mais, para trabalhar melhor e acrescentar mais valor. Coisa que vejo pouco. E como o dinheiro que eu deixei de receber vem do mesmo orçamento, que lhes paga para dizerem que não trabalham ou para fugirem aos cargos, espero que a desvalorização em 600 euros mensais do meu trabalho (uns 120 mil euros no total futuro, para o resto da minha carreira), signifique mais valor acrescentado por quem os recebe no meu lugar e chegou ao topo dela. É que eu também sou contribuinte, como todos os que advogam “sensatez orçamental” para nos tramar.

Cargos De Professores Devem Ser Atribuídos Preferencialmente A Docentes No Topo Da Carreira? — ComRegras
Não! Negam-lhe a aposentação e alguns já se arrastam na escola.