A noite em que a noite não chegou

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Um dia, mal acordou, a noite foi espreitar pela janela e reparou que já era quase noite. «Estou atrasada!», pensou ela ao ver que o Sol já tinha desaparecido e os candeeiros começavam a acender-se.
Mas, nesse dia, ou nessa tarde, ou nessa noite, a noite sentia-se muito preguiçosa.
Gostava muito de estar ali, no quentinho dos lençóis, mas à noite não podia.
Tinha sempre que fazer. Contrariada, deu uma volta e outra volta, desenroscou-se, enroscou-se e pensou lá para consigo: «Estou farta!».
Havia muitas, muitas noites desde o início dos tempos que a noite chegava à hora certa sem faltar um só dia. «E tudo isto para quê?», perguntou ela de si para si, «Só para que o vaidoso do Sol possa ir mostrar a sua linda cabeleira dourada ao outro lado do mundo… Hoje, não saio daqui… O Sol que se amanhe!»
Olhando para o seu antiquíssimo fato de trabalho, metade feito de estrelas, metade de escuros trapos, a noite resolveu por uma vez ficar na cama.
«O pôr-do-Sol que se aguente por aí, a pairar no meio do céu, até que nasça o dia!
Está resolvido. Hoje, ninguém me tira daqui!»
Assim, sem querer saber de mais nada, a noite deixou-se ficar na cama toda satisfeita, com uma chávena de chá numa mão e um livro de histórias na outra.
Quando perceberam que a noite não chegava, as pessoas, os bichos,
os candeeiros e as flores começaram a juntar-se às portas da noite. Os autocarros e os girassóis queriam ir dormir. Os mochos, as corujas e os guardas-nocturnos queriam sair para o trabalho. Por isso se puseram todos a gritar: «Venha a noite! Venha a noite! Então, nunca mais chega?! É preciso fazer cair a noite!»
Mas era tão alta a casa onde a noite morava que ninguém se atrevia sequer a tentar chegar lá acima. Foi então que apareceu um menino rabino que pediu «Com licença…» a toda a gente e se pôs a trepar pelos últimos raios de sol. Num equilíbrio despachado, pôs um pé numa nuvem, outro num cometa e, em menos de nada, chegou junto da noite.
De tão entretida com o seu livro de histórias, a noite nem deu por nada.
E mesmo que desse nem podia adivinhar. Não estava habituada a meninos e aos seus doces passos de algodão.
De mansinho, o menino rabino pôs-se a fazer-lhe cócegas nos pés. A noite desatou a rir às gargalhadas.
«Ah, Ah, Ah! – Ah, Ah, Ah!» Tanto se riu a noite que caiu da cama abaixo.
E, caindo, passou por estrelas, luas e sóis. Todas as luzes se apagaram à sua passagem e um manto muito grande, negro, de cetim, foi cobrindo a pouco e pouco o mundo inteiro.
O menino rabino, do esforço que fez, ficou tão cansado e com tanto sono que nem perdeu tempo. Deitou-se logo na cama da noite e, antes de adormecer, voltou-se para ela que lá em baixo já tomara conta do mundo inteiro e disse-lhe baixinho: «Adeus, noite… Até amanhã… Boa noite…» José Fanha

Efetua no teu caderno ou usa o link e responde no google forms a versão resumida.

1.Assinala com X a opção correcta, de acordo com o sentido do texto.
Um dia, mal acordou, a noite foi espreitar pela janela e pensou: «Estou
atrasada!» (linha 2)
Ela percebeu que estava atrasada, porque…viu que o Sol já se tinha ido embora (desaparecido)

2. Transcreve do texto uma frase que mostre que a noite estava mesmo
sem vontade nenhuma de ir cumprir o seu dever. “… a noite sentia-se preguiçosa. “

“Contrariada, deu uma volta e outra volta, desenroscou-se, enroscou-se e pensou lá para consigo: “Estou farta!”» ou “Está resolvido. Hoje, ninguém me tira daqui!”

3. A noite resolveu então…ficar na cama.

4. Quando diz «Hoje, não saio daqui… O Sol que se amanhe!» A noite revela-se… (sublinha as palavras corretas) muito distraída. egoísta. preguiçosa. pouco responsável.
furiosa. preocupada.

5. Assinala com X a opção correcta, de acordo com o sentido do texto.
As pessoas, os animais, as plantas e os objectos começaram a gritar
«É preciso fazer cair a noite!» , porque…
desejavam pregar uma partida à noite.
queriam castigar a noite pelo seu atraso.
queriam fazer o que faziam todas as noites.

6. Assinala as afirmações verdadeiras (V) e as falsas (F), de
acordo com o sentido do texto.
Quem conseguiu fazer cair a noite foi um menino rabino. De que modo?
Contou histórias à noite para ela não adormecer. __F
Equilibrou-se numa nuvem e num cometa. __V
Pregou um susto à noite. __F
Prometeu ler-lhe um livro. __F
Subiu pelos últimos raios solares. ___V
Fez cócegas nos pés da noite. ___V
Trepou por um poste da eletricidade___F

7.Nesta frase, a expressão «doces passos de algodão» significa que os
passos dos meninos eram________leves

8. Ordena o que aconteceu à noite, numerando as afirmações de 1 a 5, de
acordo com o final do texto.

A noite começou a rir.2
A noite caiu da cama abaixo.3
A noite tomou conta do mundo inteiro.4
A noite sentiu cócegas nos pés.1
A noite passou por estrelas e sóis.5

9. Na tua opinião, a noite conseguiu, ou não, levar por diante a sua
intenção inicial? Não
Justifica a tua resposta.

10. Lê o texto e completa as palavras que têm espaços em branco com as
letras adequadas, escolhendo-as no quadro seguinte.
s ss c ç

A noite não estava nada apre___ada. Espregui__ou-se uma e
outra vez e voltou a adorme__er.
Como a noite nunca mais vinha, as crian__as e os pá___aros
não so___egavam, ficando cada vez mais can__ados.
Por fim, anoite___eu.

11. Preenche os espaços em branco com as formas adequadas dos
verbos indicados entre parênteses.

Nesse dia, as pessoas não _____________ (estar) satisfeitas,
porque a noite nunca mais ____________(cair).
Quando, finalmente, a noite ___________________ (descer) sobre
o mundo, alguns ____________ (ir) descansar, enquanto outros
______________ (sair) para passear ou trabalhar.

solução – estavam / caía / desceu / foram / saíram

12. Escreve no teu caderno um pequeno texto sobre o dia e a noite.

As soluções serão colocadas daqui a 3 dias
Bom trabalho!