A caravela Portuguesa II por Jacinto Palma Dias

Os nativos africanos fugiam para o interior quando a viam, aqui não se trata de receio de uma razia, mas do efeito cénico da dupla velas/olhos da proa, o qual construía uma imagem encantatória de receio. No entanto, foi no combate naval que o receio se verteu em terror. A rapidez era o seu principal atributo e como tal podia fugir aos piratas (corsários), mas numa segunda fase “ela terá parado para pensar, isto é , se lhes podes fugir também os podes apanhar”, e aí ela vira facilmente para a pirataria consoante as oportunidades. Estas suas artes fizeram dela a arma estratégica de D. João II. Depois de assinar o tratado de Alcáçovas com a Isabel, a católica, Castela ficou com tudo o que ficava para aquém das Canárias restando para o reino de Portugal o que ficava para Além. Acontece que esse Além era um mundo desconhecido para Castela e demais reinos. Mas não o era para Portugal. E aí aparece a personalidade do rei, que, quando assinou o tratado já sabia da existência de um entreposto de ouro no actual Ghana (S.Jorge da Mina) e, de repente, toda uma carenciada Europa desse metal corre naquela direcção, mas a caravela não deixa passar ninguém !… até por constar ter o Príncipe Perfeito ordenado que fosse divulgado nos portos dos rivais que se por acaso, ou não, fossem encontradas embarcações a passar para além das Canárias a ordem era que cortassem as mãos aos seus tripulantes (!). E será com esse ouro que se preparará a expedição à Índia.
Jacinto Palma Dias

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