O que se faz quando há casos de Covid-19 na escola?

Com a chegada da segunda vaga de covid-19 a coincidir com o regresso às aulas, o risco de infeção nas salas de aula tem sido uma preocupação para muitos pais, e as escolas têm registado cada vez mais casos.

“O normal é o aluno ter estado em contacto com algum familiar contaminado e, sem ter conhecimento, vir à escola de qualquer forma”, diz Filinto Lima.

Qual o procedimento das escolas caso seja confirmado um caso de covid numa turma? A DGS divulgou um referencial a ser cumprido pelos estabelecimentos de ensino e autoridades locais de saúde perante casos suspeitos, mas alterações implementadas a 14 de outubro não obrigam a turma do aluno a fazer confinamento.

Se a suspeita é identificada na escola
Caso a suspeita seja identificada na escola, esta aciona imediatamente o seu plano de contingência, encaminhando o aluno para uma área de isolamento “através de circuitos próprios (…) que deverão estar visualmente assinalados”. Se for menor de idade, o aluno deverá ser acompanhado; se adulto, deverá ir sozinho.

Se o aluno for menor de idade, o encarregado de educação é contactado para se deslocar à escola, “preferencialmente em veículo próprio”, para contactar o SNS 24 e seguir as indicações para verificar a suspeita de covid-19. Caso o aluno seja maior de idade, é o próprio a fazer a chamada.

Caso seja confirmada a suspeita de covid, o aluno é encaminhado pelo SNS ao autocuidado (confinamento em casa), aos cuidados de saúde primários ou ao serviço de urgência, dependendo da gravidade. Se o encarregado de educação não contactar o SNS ao chegar à escola, esta deve informar a autoridade de saúde local.

Na sequência, o estabelecimento de ensino contacta a autoridade de saúde local, que prescreve o teste laboratorial, esclarece o aluno suspeito quanto às medidas a tomar enquanto espera pelo resultado e, se considerar necessário, isola os contactos mais próximos do suspeito na escola, como medida de precaução.

Se se confirmar que o aluno é portador de covid-19, o posto de saúde local procede à investigação epidemiológica, e informa a escola “sobre as medidas individuais e coletivas a implementar”, que vão desde a desinfeção de espaços ocupados pelo aluno ao isolamento de contactos próximos, encerramento da turma ou, “no limite, de todo o estabelecimento”.

Se a suspeita é identificada fora da escola
Se a escola é contactada acerca de uma suspeita de covid-19 entre os seus alunos, ativa o plano de contingência, contactando o ponto focal previamente designado, e informa a autoridade de saúde local, que destaca um delegado para tomar as medidas que considerar adequadas (investigação epidemiológica e medidas individuais e coletivas).

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas diz que “o delegado de saúde ganhou grande relevo” no processo. “Não é o diretor ou qualquer autoridade escolar que decidem se o aluno vai ou não para casa, essa decisão compete ao delegado. A escola só comunica a situação à DGS”, explica Filinto Lima.

Na opinião do professor, diretor e presidente da associação, “se no passado a regra era que a turma toda ia para casa, neste momento isso passará a ser a exceção”.

As mudanças no retorno às aulas
Uma das principais alterações ao procedimento dá-se no retorno às aulas do aluno contaminado, procedimento no qual Filinto Lima diz ter havido “uma diminuição de exigências”. A DGS esclareceu à SÁBADO que “à luz da evidência científica mais atual”, a direção-geral “atualiza os seus documentos técnicos para dar resposta à situação epidemiológica e às necessidades de saúde encontradas”.

O referencial para as escolas atualmente em vigor afirma que o aluno “deve permanecer em isolamento até cumprir com os critérios de cura” – na altura, “ausência completa de febre”, “melhoria significativa dos sintomas durante 3 dias consecutivos” e “teste laboratorial negativo, realizado, no mínimo, 14 dias após o início dos sintomas”.

Mas a atualização de 14 de outubro da Norma 004/2020 da DGS altera estes critérios, retirando a necessidade de realização de teste e alterando o período de isolamento obrigatório de 14 dias para 10 dias, em caso de “doença ligeira ou moderada”, ou 20 dias em caso de “doença grave ou crítica” ou “situações de imunodepressão grave”.

Quanto às alterações, a DGS esclarece que “o referencial encontra-se em processo de atualização”, mas que se mantêm em vigor os procedimentos a adotar em caso de suspeita ou confirmação da doença nas escolas, “exceto no que diz respeito aos critérios de alta clínica e fim do isolamento”, para os quais vigora a nova regra de 14 de outubro.

Filinto Lima diz que, “na altura, não houve suficiente explicação por parte da DGS em relação a estas mudanças”. “A DGS tem feito imensas conferências de imprensa” diz o presidente da Associação. “O que se pede, quando existirem mudanças, é que elas sejam comunicadas”.

Fonte: Sábado

Alunos do 2°ano com níveis de leitura muito frágeis

No total, contamos praticamente com 40% das crianças que avaliamos com competências aquém do que seria de esperar para um arranque do 2.º ano de escolaridade”, avançou hoje à agência Lusa Ana Sucena, coordenadora científica do estudo, realizado no início deste ano letivo a 542 crianças de 11 agrupamentos de escolas do Porto.

O trabalho foi realizado pelo Centro de Investigação e Intervenção na Leitura (CIIL), uma parceria entre o Instituto Politécnico do Porto, a Câmara do Porto e o Ministério da Educação, e teve como objetivo avaliar o impacto causado pelo encerramento físico das escolas no 3.º trimestre de 2019-2020 devido ao estado de emergência decretado perante a pandemia da covid-19.

O estudo indica que, entre as 542 crianças avaliadas ao início do 2.º ano, 144 (27%) revelaram um “desempenho na leitura muito pobre”, ou seja estão no percentil 10 ou abaixo do percentil 10, e revela que 10% de crianças apresenta “competências frágeis”, ou seja, que ficam aquém do nível esperado no início do 2.º ano, mas com razoável potencial de recuperação”, explicou Ana Sucena.

Em entrevista telefónica à Lusa, Ana Sucena avisa que as crianças que revelaram um nível de desempenho na leitura “muito pobre” e “muito frágil” estão em “situação de alarme”, porque “são ainda muito novas” e estão numa fase “muito inicial da escolaridade”.

A especialista acrescenta ainda que, sem surpresa, as crianças em contexto “economicamente desfavorecido” são “mais penalizadas do que aquelas em contexto não desfavorecido”.

Na opinião de Ana Sucena, é necessário que estes alunos com níveis de competência de leitura “muito baixo” ou “frágil” devam ter um reforço escolar durante “todo o ano letivo” para recuperarem as competências que ainda não desenvolveram e para que não fiquem “marcas para uma vida”.

“Um processo de aprendizagem com um início frágil é um péssimo indício. A probabilidade de as coisas correrem mal daqui para a frente é muito grande”, considerou, reiterando que a aposta de consolidação e de recuperação tem de acontecer com estas crianças “para lá das cinco semanas do início do ano letivo“.

Em anos letivos anteriores, no mesmo território — município do Porto -, mas com a escola a decorrer em condições de normalidade, a soma das crianças com competência “muito pobre” e com “competência frágil” rondava os 25%, o que contrasta com os “37% no presente ano letivo“.

Este estudo utilizou um teste de rastreio de leitura aferido para a população portuguesa com um valor padrão em que crianças do 1.º ano deveriam conseguir ler “30 frases em cinco minutos e deveriam conseguir “completar essas frases”.

Para o final do 1.º ano há um resultado esperado, mas o que este estudo veio demonstrar é que houve uma percentagem muito elevada nos percentis mais baixos (10 e 25), explicou a especialista.

Os percentis são medidas que dividem a amostra por ordem crescente dos dados em 100 partes. O percentil 50 é a mediana.

Fonte: Notícias ao Minuto

E que tal contestar com mais criatividade?

CONCENTRAÇÃO | FRENTE À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA | 29 DE OUTUBRO | 14H00–17H00

Com o objetivo de contestar o parco orçamento que o governo propõe para a Educação em 2021, a FENPROF promove uma concentração frente à Assembleia da República no próximo dia 29 de outubro, primeiro dia do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado.

E o apagão?

ComRegras – A Educação não é prioridade no OGE / Santana Castilho – Pau não mata vírus

  • A falta de professores e a necessidade de alterar a carreira para tornar esta profissão atrativa. Há necessidade de mexer na entrada ao nível dos contratados e na própria carreira na medida em que se constata a existência de muitos professores com sessenta anos e só agora estão a chegar ao 5º escalão. Nada consta do OGE 2021 que responda a este problema que passa por dotar o orçamento da educação de mais meios.
  • A necessidade de se continuar a redução de alunos por turma para se melhorar a possibilidade de haver um ensino mais personalizado e diferenciado. Já iniciámos um processo de se reverter o agravamento da tróica, mas este tem sido lento e no ano em que lidamos com a necessidade de se reverter alguns danos do ensino à distância teria sido necessário acelerar este processo e aproximarmo-nos da meta dos 20/22 alunos por turma. Esta variável do sistema educativo é a que permite melhor combater as desigualdades com que os alunos chegam ao sistema de ensino porque vêm de famílias com distintos recursos financeiros e culturais. A estratégia do governo para lidar com este problema é ir reduzindo os alunos por turma à medida que a natalidade se reflete na redução das crianças e adolescentes em idade escolar. Assim nada consta no orçamento para lidar com este problema.
  • A reposição de uma gestão mais democrática, com eleição direta da direção e existência de um órgão colegial e gozando de autonomia efetiva. Esta será uma questão mais ideológica, sem reflexo nas contas públicas, mas essencial para se começar na escola a praticar a democracia, procurando-se que os alunos sintam o que é estar numa escola democrática e nela participando. Neste momento sentimos uma escola impositiva.
  • O equipamento das escolas com material informático adequado para se ter um ensino que acompanhe a evolução tecnológica. Este será o único item contemplado pelo OGE 2021 e pelo plano que utiliza a bazuca da UE.

Concluindo a educação não tem sido prioritária nas negociações orçamentais com a esquerda, quer nas propostas iniciais do governo, quer nas propostas de alteração dos partidos da geringonça.

Agora Santana Castilho ( Pode ler no ComRegras na integra)

Vivemos numa sociedade desorientada entre a histeria e o desleixo, perdida no meio de um amontoado de pequenas razões incoerentes, governada por gente que pouco se importa com os danos que o medo impõe. A epifania da liberdade de Abril vai-se diluindo no seio de uma sociedade autoritária, onde, graças ao medo, os cidadãos trocam liberdade por segurança aparente e aceitam que se combata o vírus de pau na mão…

 HÁ DEMASIADAS ESCOLAS MAIS PREOCUPADAS COM MÁSCARAS, MEDIDAS SANITÁRIAS E REGRAS, QUE COM AQUELES QUE AS TÊM DE CUMPRIR E FAZER CUMPRIR. COM AS SUAS PERDAS EMOCIONAIS. COM AS SUAS ANSIEDADES. COM O ESMAGAMENTO DOS PADRÕES DE VIDA DEMOCRÁTICA