Em 81,4% dos casos não se sabe a origem do contágio do Covid-19 — ComRegras

E depois têm o descaramento de dizer que nas escolas não há contágios, ou que são meramente residuais. Tenho batido nesta tecla desde setembro, existe uma cultura de desinformação, deturpação, omissão e de silêncio com contornos criminosos. 39 mais palavras

Em 81,4% dos casos não se sabe a origem do contágio do Covid-19 — ComRegras

TEXTO VI e VII de Jacinto Palma Dias

TEXTO VI de Jacinto Palma Dias (continuação do texto V)

De facto, o que aconteceu foi uma sistemática ocultação do teorema de Saraiva, o que , entre outros efeitos, teve por principal consequência a desvalorização cultural do sul de Portugal . Voltamos ao inicial Modo e aos Meios. Quanto ao Modo, o Estado Novo, 1933 , agradecia a formação de genealogias de violentos heróis de forma a legitimar a repressão que o seu estatuto de estado ditatorial exigia . Foi assim que os compêndios do ensino primário foram recheados por conquistas militares. Ora a conquista de Portugal aos mouros ( a”reconquista”), a conquista de Lisboa aos mouros, a do Algarve aos mouros servia-lhes para esse fim que nem uma luva .
E, foi assim, que aos manuais escolares foram subtraídas as bases de coexistência e inclusão que constituíram a condição da fusão linguística entre diferentes etnias , sendo a romana a principal , o que permitiu a Saraiva (55) definir o inicial português como um “latim evoluído ou romanço” .
O golpe de estado no interior da linguística que permitiu ocultar tal inclusão foi sustentado por duas evidentes fraudes de natureza intelectual . Em primeiro lugar a teoria das “conquistas” fazia crer estar o sul de Portugal povoado por muçulmanos . Ora no 2º congresso histórico de Guimarães (1996) o investigador egípcio Adel Sidarus ( univ. Evora ) declarou peremptoriamente que ” a população não era árabe “, e continuou dizendo que também não era “moura”, como ficou estigmatizada na língua portuguesa a minoria muçulmana do reino medieval . Mesmo as regiões mais ocupadas pelos berberes como foi o caso da Beira Baixa e do Alto Alentejo não oferecem a Stéphane Boisselier (Naissance d`une identité portugaise , Lx. 1999) nenhum ajuntamento urbano susceptível de ser objecto de uma conquista pela simples razão de essas populações preferirem dispersar-se pelos campos . E Adel Sidarus regressa dizendo que, pelo contrário, o número de moçarabes ” era bastante significativo pelo País fora” . Então quem foi que os do norte guerrearam ?
(texto VII)

A conquista de Lisboa é disso reveladora pois os conquistadores, liderados por Afonso Henriques, pouparam o alcaide muçulmano o mesmo não acontecendo com o bispo moçarabe, que era cristão e foi morto. Está à vista o bluff que os compêndios do ensino primário, e não só, divulgaram como verdade indesmentível. Dizer que o grande combate é com os mouros, seja no séc. XII seja em 1940, omite a verdade em qualquer das épocas porque o verdadeiro inimigo das gentes do norte são os moçarabes e não os mouros.
Em 1980 Olivier Balabanian avisa que no norte, mesmo entre a nobreza, domina um regime de “microfundiários” ( Les exploitations et les problemes de l`agriculture en Estremadure Espanhole et dans le Haut Alentejo, Clermont Ferrand,1980). Queriam grandes propriedades e essas estavam a sul e tinham-nas tido os romanos que aos moçarabes as testamentaram. O verdadeiro adversário são, portanto, os moçarabes .
A narrativa da ” conquista de Lisboa aos mouros ” (1147) relatada por um cruzado inglês – que alinhou do lado de Afonso Henriques – em carta enviada ao seu amigo Osberno- clarifica a diferença entre os vencedores e os vencidos: o cruzado fica boquiaberto por Lisboa ser povoada por gentes que não tinham” nenhuma religião obrigatória ” (in Conquista de Lisboa aos mouros em 1147 , lx1989, pág. 35 ). Jacinto Palma Dias”
(continua)

P.S. Chamo a atenção para o seguinte: este texto deve ser bem lido e ponderado juntamente com o texto anterior e, aí, se percebe como Jacinto Palma Dias desmonta a História que nos é contada nos manuais …

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Lisboa_(1147)