Numa reportagem da cmtv a louvar os professores da escola do Pontal falaram pais e diretor do agrupamento

“Por “comunidade educativa” entende-se o envolvimento local.
Há uns bons anos, moderei um debate em Oeiras em que entre candidatos a vereadores estavam pelo menos dois directores e sei da troca de comentários em off com um deles e com a forma como se endeusava a si mesmo e ao seu papel de “rosto da escola” quando o director, de acordo com a lei, emana de escolha do CG que, nesse caso sim, tem representantes dos docentes por eleição directa.”

Paulo Guinote

“Criaram uma corte de escolas, diretores e replicadores que inventaram um sistema imaginario para encaixar a cartilha e assim se foram alimentando mutuamente, mas até isto, sem o marketing pago a preço de ouro pela comunidade europeia, ja começa a ser dificil manter. No entanto “eles” com o tempo parece tomarem mesmo o imaginario pelo real. Como as personagens do malade imaginaire lutam para não se confundirem com a personagem que foram imaginando. Mas a realidade superou a ação e os lugares imaginados. As personagens com a sucessão dos tempos enredam-se na sua propria ficção.”

Joaquim Colôa

O terramoto de 1722

Já toda a gente ouviu falar no Terramoto de 1755.
Menos conhecido, mas igualmente devastador, foi o Terramoto de 27 de Dezembro de 1722 (fez 298 anos).
Particularmente sentido no Algarve, nesta região provocou grave ruína, como bem registaram as publicações da época:
Gazeta de Lisboa, 14 de Janeiro de 1723
Algarve. Villa Nova de Portimão 3 de Janeiro.
Das 5 para as 6 horas da tarde do dia 27 de Dezembro se sentio nesta Villa hum tremor de terra, que não durou mais espaço que o de huma Ave Maria; mas tam violento, que fez hu grande abalo, e se abrirão algumas fendas na abobada da Igreja do Collegio, estallando algumas pedras das tribunas e portas. O mesmo padeceo a Igreja, e mais oficinas do Convento dos Capuchos, onde se tocarão per si as campainhas, que costumão estar junto aos altares. Tem-se noticia de vir correndo este movimento desde o Cabo de S. Vicente, e de se ir dilatando pela extensão deste Reyno: experimentando-se mayor violencia nas Villas de Albufeira, e Loulé, e nas Cidades de Faro, e Tavira. Nesta ultima fez lamentáveis efeitos, e acabou com hum estrondo mayor que o mais formidavel trovão. Cahirão muytos edifícios, e os mais ficárão arruinados, e se achão hoje sustentados com espeques para não cairem. Na praça só huma pessoa ficou na sua casa. Todas as mais desampararão as suas; e algumas ficarão sepultadas nas ruinas. No rio se apartarão as aguas com o tremos de terra de maneira, que huma caravela que subia por elle, ficou em seco por muito tempo; e toda a gente que nella hia fugio para a terra a pé; dondo vio voltar-se a mesma embarcação várias vezes, até que acabado o terremoto, tornou a ficar em nado. O Convento de S. Francisco, assim Igreja, como dormitorios se acha em estado, que não admitte concerto, e precisamente se ha de demolir para se fazer de novo. Os Religiosos que estavão para sahir do refeitorio, vendo que a casa se virava, que a terra dava pulos, e todo o Convento estallos, sahirão huns a buscar o campo, outros recorrerão á Igreja; onde depois de socegado o movimento fizerão preces com o Santissimo exposto no sacrario. Os moradores cheyos de terror, e absortos de pasmo recorrérão todos á Confissão, pedindo a Deos lhes não reiterasse tam horrivel castigo. Em Faro cahirão tambem muytas casas, em que morreo alguma gente; e as que existem em pé ficarão todas abertas, experimentando-se o mesmo na torre da Igreja Cathedral, sendo toda de cantaria, e fortíssima, tangendose os sinos per si. O mesmo experimentou a Igreja Paroquial de S. Pedro, e com muyto mayor effeito a de N. Senhora do Carmo. No rio da mesma Cidade sorveo a terra de maneira a agua delle, que deyxou hum barco, e os peixes em seco. Dizem que em Albufeira se virão mover os montes com o abalo. Este successo he um dos raros que se virão no anno passado neste Reyno: porque a 21 de Fevereiro se vio hum Phenomeno no Sol, com differente aspecto do que foy visto em Lisboa a 19 do dito mez. Em 28 de Junho hum grande Eclipse da Lua. Em 27 de Setembro huma horrenda tempestade de trovoens, e relampagos, que durou a mayor parte da tarde. Em 26 de Outubro hu violento furacão, que excedeo o de 30 de Setembro de 1672 assim no tempo da sua duração, como no estago que fez nos arvoredos, pois se estima a perda em mais de 400 U cruzados; porem o que mais faz admirar, he veremse em Dezembro, e Janeiro cobertas as arvores de flores, e folhas como na Primavera, e colheremse ameyxas e peras das que se costumão ver no mez de Junho tão sazonadas como se fosse no seu proprio tempo; em alguas vinhas se tem visto cachos de agraço e as figueiras mostrão fruto nacido como se fosse nos mezes de Abril, e Mayo, o que tudo se tem aqui por cousa prodigiosa.
Gazeta de Lisboa, 28 de Janeiro de 1723
Algarve. Villa Nova de Portimão 17 de Janeiro.
Os effeitos do terremoto de 27 de Dezembro forão mayores de que publicou a gazeta de 14 de Janeiro, porque na Villa de Albufeira cahio hum lanço da muralha; na de Loulé se arruinou o Convento novo dos Capuchos, e a mayor parte da povoação padeceo ruina nas casas. Em Faro se abrio a torre da Sé em fendas tam perigosas, que os Conegos se não atrevérão a usar mais do coro alto, a quem ella fica eminente. Na Igreja Paroquial de S. pedro se deslocarão as pedras das colunas, ficando muytas desunidas. No lugar da Lagoa se arruinou a Igreja, e mais officinas do Mosteiro do Carmo, e não na cidade de Faro, como por menos exacta noticia se escreveo. Em Tavira se precipitarão 27 moradas de casas; e o bairro que fica desta parte da ponte ficou inteiramente arruinado; Castro Marim padeceo grande danno no Castello, e nos armazens. Tem-se por sem duvida, que todo esta grande abalo da terra procedeo do ímpeto com que rebentou huma quantidade de fogo subterrâneo, do mar, entre as Cidades de Faro, e Tavira, donde algumas pessoas virão subir as chamas dentre as mesmas aguas, que bramirão como violentadas de alguma tormenta.

fonte: Campos Inácio