A política indecorosa de João Costa em confronto com Nuno Crato

Os resultados do TIMMS, divulgados no início deste mês, confrontaram-nos com uma acentuada descida dos resultados dos alunos do 4º ano da escolaridade obrigatória, em Matemática. Numa escala de um a 1000, caímos da posição 541, em 2015, para a posição 525, apurada em 2019. E esta queda é tanto mais relevante se tivermos presente que, desde 1995, é a primeira vez que invertemos uma trajectória sempre crescente.O secretário de Estado João Costa tem-se desdobrado em narrativas para culpar do desaire as políticas de Nuno Crato. Ora, concorde-se ou discorde-se delas, e eu discordei, muitas vezes com estrondo, essas políticas não impediram que, em 2015, se reforçassem as subidas anteriores (da posição 532 de 2011, passámos para a posição 541 em 2015). Estamos pois em presença de uma perversidade política e intelectual, que não pode passar sem censura.Os alunos agora avaliados entraram no sistema educativo em 2015. Formalmente, estudaram até ao final do 1º ciclo sob a tutela das metas curriculares, introduzidas em 2013 por Nuno Crato. Formalmente, o “perfil dos alunos”, as “aprendizagens essenciais”, a “flexibilidade curricular” e demais ladainhas pedagógicas falhadas no passado e recuperadas pelo actual Governo, só foram generalizadas, a partir do 1º ano, em 2018/19. Mas, o deslassar da exigência e do rigor foram, desde o primeiro dia, a marca impressiva da actuação de João Costa, construtor primeiro da cultura de desvalorização da avaliação séria e útil dos alunos, que passou a ser proposta.O TIMSS de 2019 testou alunos que fizeram o 1º ciclo, de 2015 a 2019, sob a égide de João Costa. O TIMSS de 2015 testou alunos que fizeram o 1º ciclo, de 2011 a 2015, sob a égide de Nuno Crato. Eram sobejamente conhecidas as visões pedagógicas diametralmente opostas de um e de outro. Foram agora conhecidos os resultados dos respectivos períodos, o de João Costa em contexto económico de crescimento, o de Nuno Crato em contexto económico de penúria. Ludibriar esses resultados, pintando um arco-íris no que ficou cinzento, é expediente lamentável da “piropedagogia” de João Costa, que removeu compromissos e responsabilidades, sob a bênção ignorante de Tiago Brandão Rodrigues. Se pusermos de lado as diferentes matemáticas da análise da Matemática, mais do que a descida dos resultados deve preocupar-nos a subida das desigualdades, em correlação estreita com a menorização das orientações curriculares anteriores, a que nunca foi oposto novo modelo estruturado e coerente. Outrossim, fomos tendo um ambiente mais ou menos caótico no que toca à gestão do curriculum, com sinais que se excluíam uns aos outros, num crescendo da espiral de incertezas: os programas e as metas curriculares de Nuno Crato foram coexistindo com as orientações avulsas da Direcção-Geral de Educação; o folclore das “aprendizagens essenciais” e a brincadeira da “gestão flexível do curriculum” puseram cada um a divergir a gosto, sem que nenhum professor sério pudesse saber, em rigor, o que queriam que ele ensinasse, quer no ensino básico quer no secundário. O que o TIMMS de 2019 veio dizer aos futuristas do “perfil do aluno do século XXI” é que, por mais que ensaiem a falsificação da História, começaram a produzir jovens com menos conhecimentos e capacidades que os do século XX.Já que João Costa aproveitou este ensejo para referir mudanças próximas, fica uma nota final.No que toca ao ensino da Matemática, diz-me a evidência empírica que nos temos ocupado ora na escolha de conteúdos ora na análise de métodos, para cair, invariavelmente, no mesmo erro monolítico, qual seja o de desconsiderar constatações de há muito, a saber:– Sendo certo que na terceira infância (6 aos 12 anos) as crianças começam a ser capazes de pensar com lógica, essa aquisição é gradual e a lógica de que podemos falar é predominantemente concreta.– Só na adolescência (12 aos 20 anos) se começa a desenvolver, mais uma vez com um gradualismo que pedagogicamente não pode ser ignorado, a capacidade de pensar abstractamente.– Uma espécie de capitalismo cognitivo vem cristalizando o debate, sempre que surgem desaires no ensino, em torno de receitas metodológicas superficiais, que nos afastam da consideração de razões mais profundas: políticas, sociais, económicas, direi mesmo, civilizacionais.

In “Público” de 23.12.20

Escolas «estão a ser cúmplices de um enorme desrespeito à saúde dos professores», alerta Sindicato — ComRegras

O Sindicato de Todos Os Professores (S.T.O.P) voltou  a atualizar a lista de escolas que «não cumprem orientações da Direção Geral da Saúde (DGS), por continuarem a marcar reuniões presenciais, alertando que muitas ainda «estão a ser cúmplices de um enorme desrespeito à saúde de muitos professores»…

Escolas «estão a ser cúmplices de um enorme desrespeito à saúde dos professores», alerta Sindicato — ComRegras

O ME nos dias 6 e 7 de janeiro vai receber todos os sindicatos. A sério? Aposto que com pouca ou nenhuma margem negocial. Formalidade de quem prefere ver as sondagens como trunfo político. Os tempos andam estranhos e de um momento para o outro tudo muda.

Avaliação

“AS GRELHAS, os PLANOS e as MEDIDAS de X (cruz) e toda a tralha burocrática conexa são uma cultura enraizada para “dar valor à organização” e descansar as almas “do dever cumprido”. Deixamo-nos enredar nos paradigmas PSICOMÉTRICOS com enfase na medição em vez de basearmos a avaliação formativa no processo de aprendizagem.”

Carlos Gomes no faceprof

Morrer a trabalhar

Segundo o estudo “Promover uma força de trabalho inclusiva em termos de idade”, divulgado pela OCDE e citado pelo “Diário de Notícias”, os portugueses terão de trabalhar, em média, mais oito anos além da idade de referência para a reforma, caso o cenário não mude nos próximos 30 anos. Neste contexto, a idade ativa produtiva deverá ser prolongada até aos 72 anos.

comentário: nessa altura já cá não estou, mas é injusto para os que cá ficam e vivem do seu trabalho.

Desta notícia nem estes se riem!

Diretores sugerem adiamento do regresso à escola em janeiro para evitar nova onda de contágios — ComRegras

Depois de ouvir as declarações dos “chefes”, onde tudo foi maravilhoso, onde nas escolas não há contágios, é garantido que não haverá adiamento nenhum. Louvo a atitude dos diretores, mas desde setembro que nos deveriamos estar a bater pelo ensino misto e não o 80 (distância) ou o 8 (100% presencial). 26 mais palavras

Diretores sugerem adiamento do regresso à escola em janeiro para evitar nova onda de contágios — ComRegras

E o que dizer da posição da Fenprof “se não for para reestruturar a escola não se justifica”

19 dez 2020 /

No final de um ano e de um primeiro período letivo marcado por problemas, Assembleia da República aprova, finalmente, resolução que determina que o governo deve realizar testes gratuitos e rastreios nas escolas. (aguardo sentado, ou de pé, posição mantida em tempo de aulas)

Professores Deveriam Ser Prioritários No Plano Nacional De Vacinação? – Ricardo Silva

Será que os alunos sem professor não aproveitam?

Desde setembro já foram emitidas 148 aulas. A sala do #EstudoEmCasa, a ‘telescola’ transmitida pela RTP Memória, tem estado vazia nas últimas semanas. Segundo os dados da GFK, citados pelo Espalha-Factos, os blocos educativos têm registado 0,0% de share e 0,0% de ranking.

No total, desde setembro foram para o ar 148 aulas e média de share é de 0%. De acordo com os dados, nos últimos meses só 16,8 mil espectadores acompanharam as emissões do #EstudoEmCasa.

fonte: Vozprof