4ª Feira

………..A redução do ensino público a uma lógica de Educação Mínima, em que o “saber fazer” se sobrepõe ao conhecimento teórico – dito “enciclopédico” -, em que a competência do indivíduo é desligada da sua capacidade de reflectir sobre o que faz, conduz a Escola Pública para um estatuto de menorização e de formação de indivíduos que nunca poderão ser verdadeiramente reflexivos ou críticos, porque lhes foi retirado o acesso à informação não prática, aos saberes teóricos, transformando-os apenas em homens que fazem, homens hábeis, homens que trabalham, mas não a homens que sabem. A legitimação das “Aprendizagens essenciais” como padrão do ensino público significa a vitória da concepção mecanicista do homem autómato, que necessita apenas do “essencial” para estar ao serviço de um modelo de sociedade que cada vez mais acentua as desigualdades e os fenómenos de dominação com base no acesso e uso da informação. Há os que sabem e os que fazem. A Educação Mínima é para os que fazem. Os que querem mais serão obrigados a escapar dessa prisão pintada com o dourado falso de “sucesso” mínimo.

O homem que sabe é o que compreende. Não sendo a única via para a Educação, não pode ser afastada como sendo de menor importância, aborrecida, arcaica, tradicional, conservadora. Pelo contrário, sem a compreensão, a “transformação” limita-se aos fenómenos concretos do mundo do trabalho pouco qualificado, mesmo que certificado. Sem a compreensão teórica, não existe a transformação mais perigosa para os poderes que estão, a que nasce da capacidade de pensar sobre a realidade e questionar os modelos apresentados como únicos.

O Meu Quintal

Ao longo da hominização, a espécie humana atingiu primeiro a fase do homo faber (o homem que faz, que consegue usar recursos da Natureza para a dominar, pelo menos em parte) e só depois a do homo sapiens (a do homem que sabe, que reflecte sobre o que faz, o como e o porquê, o que significa que para além de dominar a Natureza produz conhecimento sobre ela e o transmite de geração em geração não apenas pela demonstração prática, mas pela explicação teórica, pela linguagem.

Se quisermos fazer uma analogia simples. mas não necessariamente simplista, o homo faber é o que tem a competência de fazer (o homem hábil, ou homo habilis), enquanto o homo sapiens tem a capacidade de reflectir sobre o que faz e por maioria de razão o homo sapiens sapiens.

Considerar que a Educação deve submeter-se à lógica das competências reduz os indivíduos…

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