Lenda da Pedra Mourinha

No sítio da Pedra Mourinha (Portimão) há uma pedra negra (húmida mesmo no verão) que teve origem em Monchique. Reza a lenda que havia uma linda moura que vivia no alto de Monchique, e que um cavaleiro do Alferce se apaixonou por ela. Seu pai o alcaide de Monchique que era um homem muito cruel tinha a filha reservada para um prometido do seu agrado e foi contra essa paixão.

Então o pai encerrou a filha numa alta e escura torre e enviou o cavaleiro para Burjmunt (Portimão) para separá-los. A linda mourinha chorava de saudades do seu amor, todas as noites e todos o dias, e chorou tanto que a enorme pedra que se encontrava numa das zonas da torre, devido as muitas lágrimas que ela verteu por nunca mais poder encontrar o seu querido, o seu amado, rolou e só parou ali naquela povoação distante de Monchique onde se encontrava o seu amado. Dizem que foi o desgosto e a saudade do cavaleiro que atraiu a pedra trazida pelas lágrimas da sua amada.

2 opiniões sobre “Lenda da Pedra Mourinha”

  1. Portimão, Lenda da Praia da Rocha.
    Uma Sereia chegou um dia ao Algarve, não se sabe bem de onde. Instalou-se à beira-mar, descansando de uma jornada que deve ter sido longa e fatigante.
    Um Pescador que por ali andava na sua faina viu-a, e admirado com aquela intrusão nos seus domínios, aproximou-se e disse:
    – Não sei donde vieste, mas devo informar-te de que tudo isto que vês é meu. Foi o Mar que criou este sítio e eu sou filho do Mar!
    Sorriu a Sereia de tal maneira que prendeu o Pescador, respondendo-lhe:
    – Venho de longe, Pescador, de muito longe. Aportei aqui depois de muito procurar, e tanto sossego achei que quero ficar.
    – Como te chamas? Quem és? – quis saber o filho do Mar.
    – Não tenho nome, Pescador. Sou apenas o que sou, Sereia.
    – Bem-vinda sejas então, Sereia, a este local que já é teu!
    Foi então que, de longe, se fez ouvir uma voz agreste e rude:
    – Não dês o que não é teu, Pescador! Esta terra é minha, foi a montanha que a criou! Eu sou o filho da Serra e tudo o que vês me pertence!
    – Assim sendo, Serrano – sussurrou a sereia – talvez sejas tu o fim da minha jornada.
    – Deixa-o falar, Sereia! Que pode ele e a sua Serra contra o poder de meu pai, contra as ondas sem dono!…
    – Ah, ah, ah! – riu o serrano – Tenta tu subir à Serra! Que poderão as tuas ondas contra a robustez que herdei da minha mãe. Mais poderoso sou eu, que quando quiser, posso criar montanhas dentro do Mar!
    Parecia iminente a luta entre os dois gigantes; procurava o Mar acalmar as suas ondas, que cresciam e engrossavam; toldava-se a Serra, agitando as urzes e os pinheiros. Deleitava-se a Sereia com a violência do amor que neles via crescer, mas disse-lhes:
    – Não se zanguem! Eu vou esperar aqui que me tragam provas das vossas forças. Mas agora ide, estou cansada e quero repousar!
    Lentamente afastaram-se areal fora os dois rivais. Um entrou pelo Mar dentro, o outro subiu à Serra. Iam pensativos, procurando a melhor maneira de convencer a Sereia.
    Ela, por seu lado, instalou-se como se em casa estivesse e esperou.
    Chegou primeiro o Pescador. Trouxe-lhe o Mar e estendeu-o a seus pés, pintando-o verde suave à bordinha, e azul profundo lá ao longe, dizendo:
    – Tudo isto é o meu Mar, e é teu, Sereia!
    E a Sereia ficou a olhar o mar, deleitando-se com o seu ondular. Subitamente, ouviu o Serrano:
    – Sereia, aqui estou: dar-te-ei um trono de pedra lá no alto do mundo. Já pedi ao vento que te embalasse o sono, ao sol que te aquecesse os dias, e às fontes que te refrescassem as horas. Vem comigo e serás a rainha da Serra.
    – Chegaste tarde, Serrano! Já me sinto a rainha do Mar – respondeu a Sereia.
    Enfurecida por ser rejeitada, a Serra fez rolar enormes rochedos até ao Mar, rodeando a Sereia: se esta não subia à Serra, descia a Serra ao Mar.
    O Mar zangou-se, e durante noites e dias, dias e noites, atirou-se contra as rochas, mas não conseguiu desfazê-las.
    E assim continuaram até que a Sereia, não sendo capaz de se decidir, transformou-se numa areia tão fina como não há outra igual, recebendo o tributo eterno dos dois eternos gigantes enamorados, umas vezes rivais, outras inimigos, outras ainda grandes amigos. O lugar tem hoje o nome de Praia da Rocha

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