Relato de uma professora sobre as angústias da avaliação

https://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2021-10-04-a-mesa-com-uma-inspecao-do-ministerio-do-educacao-o-relato-de-uma-professora-sobre-as-angustias-da-avaliacao/

…É possível sempre melhorar! Especialmente se nos for dado tempo de qualidade para uma reflexão madura e responsável sobre como melhorar as nossas práticas pedagógicas no domínio da avaliação das aprendizagens, se nos derem um número razoável de alunos e de níveis e de turmas e de anos, se perceberem de uma vez por todas que um profissional docente deve ser uma profissional reflexivo e não um fazedor de grelhas que, ajudarão certamente a essa reflexão, mas não são a sua essência. Como tem mostrado – e bem – a investigação científica nesta área, a avaliação pedagógica pode ser um importante fator de combate ao sucesso escolar, ao abandono e às desigualdades, crucial em qualquer instituição de ensino e ainda mais, posso afirmar, nas escolas localizadas em territórios educativos de intervenção…

O sucesso total a todo o custo?

 talvez a que mais me angustiou foi a seguinte: Então se faz corretamente a avaliação formativa dos seus alunos, como explica ainda a existência de classificações negativas nas pautas? Pediram-me exemplos concretos de tudo o que afirmei, de todos os argumentos que defendi. Tinha vários, felizmente. O que mais parece ter chocado as minhas interlocutoras foi a minha tese de que a dificuldade dos alunos em reter informação, por mais simples que aparentemente seja e das mais variadas formas por que seja apresentada, é gritante. Exemplo? – pediram-me. Não será a senhora professora que não está a utilizar o método certo para que essa aprendizagem ocorra? Talvez, talvez, admiti… Mas então, ajudem-me, pedi. Ainda ontem introduzi Pessoa e o Modernismo numa turma de um curso profissional contextualizando-o numa época, num século, em décadas, em anos… Falei, escrevi no quadro, eles escreverem no caderno, viram e ouviram um vídeo e leram no powerpoint a época: séc. XX. Perguntei se sabiam a razão para o dia 5 de Outubro ser feriado nacional. Falei-lhes do rei de Espanha e do Presidente da República de Portugal. Remeti para a data de 1910… Sai da aula convicta de que nenhum daqueles alunos jamais trocaria o século de Pessoa como fazem habitualmente com o século de Camões. Pura ilusão. Na aula seguinte, ninguém se lembrava e, pior do que isso, houve quem avançasse com o século XVII, XVII ou XIX. Contei-lhes esta história e perguntei às senhoras inspetoras o que fariam, como fariam e pedi-lhes que me ensinassem. Não estamos aqui para ensinar, responderam. E tinham toda a razão…

Uma opinião sobre “Relato de uma professora sobre as angústias da avaliação”

  1. Ensinar? Coitadinhas das “inspectoras”. Complexadas criaturas de poucas letras, que não sabem nada de nada a não ser espiolhar uns papeis e ver se têm as assinaturas no sítio. Ah! e a data.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s