José Pacheco Pereira, hoje no Público

«(…) O agressor não é o povo russo, é Putin e a sua corte militar e civil, mas o agredido é o povo ucraniano, seja quem for quem o governe. Esta diferença é aquela que, não sendo feita, faz com que quem a omite fique do lado do agressor. E nesta guerra ficar do lado do agressor é espezinhar a liberdade, a soberania, o direito, a humanidade e as pessoas. Não as pessoas “especiais”, mas as pessoas comuns.

Admito que a maioria dos russos apoie esta guerra e não é apenas porque a censura de Putin evita o conhecimento do que se passa e a dura repressão impede qualquer liberdade para o protesto. Proibir e prender, agredir e matar é uma coisa que quem tem o poder na Rússia sabe muito bem fazer desde sempre, da Okrana à Cheka, ao KGB e ao SVR, dos czares, passando por Estaline, até Putin. Mas o que também faz parte dessa tragédia russa é que alguma da sua cultura esteja exactamente nos antípodas dessa violência, e que descreva melhor do que ninguém a combinação da obediência e da rebeldia, que a história com h pequeno fez ao povo russo, aos “humildes”. (…)»

fotomontagem de Luís Costa

 O súrjik, uma espécie de portunhol entre o russo e o ucraniano bem os podia ajudar a entenderem-se!

Jovem consevador direita

A FDUL tem sido muito falada por causa de denúncias de casos de assédio. Alegadamente há professores com comportamentos inapropriados. Eu sou contra qualquer tipo de assédio, a não ser que seja assédio construtivo. Estes professores estão a usar o seu assédio de forma pedagógica e, desta forma, a possibilitar que as suas alunas estejam mais confortáveis na presença do tipo de pessoas duvidosas com quem vão contactar quando forem advogadas. Quando um professor entra nas DMs de uma aluna está a dar-lhe uma preciosa lição sobre a forma como o Mundo funciona. Se elas usarem o emoji certo até podem ser recompensadas por isso, com uma nota melhor, com uma massagem ou até com amor. A qualidade do ensino do direito pode ressentir-se muito se os professores virem a sua capacidade de cometer comportamentos duvidosos limitada. É como pedir a um professor de sociologia que não fume ganzas.

É claro que muitas alunas estão a denunciar esses casos, mas felizmente a faculdade tratou de lançar um processo ao assistente que deu a ideia ridícula de criar um sistema de denúncias. Este professor tem, obviamente, de ser punido pelo dano reputacional que causou à sua instituição. Os casos de assédio só são graves se forem denunciados como tal. Até isso acontecer são apenas possibilidades: de melhorar notas, de descobrir o amor ou de ver um constitucionalista a usar um robe de seda.

Os alunos assediados podem não gostar, da mesma forma que os alunos antigamente não gostavam que os professores lhes batessem com canas na cabeça. Mas eram esse tipo de métodos pedagógicos que tornavam a educação exigente. Ninguém decora os rios de Portugal se não for espancado e ninguém se torna um bom advogado se não for humilhado e assediado. Quando um dia precisar de humilhar alguém, não vai saber como fazer.

Ao limitar a capacidade de os seus professores exercerem assédio estão a limitar a qualidade da sua educação. Estão a colocar um açaimo nos seus professores e, pior, a limitar o amor. Muitos casamentos começaram com situações de assédio entre pessoas com níveis de poder diferente. Cada um joga com as armas que tem. O Dr. Brad Pitt não é acusado de assédio por ser atraente, um professor de direito não pode ser acusado de assédio por usar aquilo que tem (capacidade de melhorar notas e estatuto) para conquistar senhoras.

Por cada 5 histórias desconfortáveis de alunas que ficam sem saber como reagir a DMs de professores de direito fiscal há 3 histórias de amor que começam com mensagens como:

“boas!

tenho o seu exame na minha secretária e estou sem calças, quer vir comigo a Benidorm?

looll estou a brincar…

será que estou?

estava a brincar. quando me conhecer melhor vai ver que sou assim… levado para a brincadeira. Se é que me entende.

não diga a ninguém, mas às vezes nem uso gravata. e às vezes só uso gravata.

Às vezes estou a dar aulas e só me apetece gritar, largar tudo e ir para benidorm beber piña coladas. É a primeira vez que digo isto a alguém. Confio muito em si, sabe.

Estava a olhar para o seu exame e pensei assim “Sinto me vazio por dentro.” Quer preencher-me?

gosto muito das suas participações na minha aula… mesmo muito… são mesmo muito interessantes, principalmente quando vai de saia.

estou a brincar! Lolol

Oi?

Não responde? Eu vi que leu a mensagem. é falta de educação deixar uma pessoa a falar sozinha. não há nada de errado nesta conversa. Deve achar que é muito especial.

já não estou a gostar tanto do seu exame

Já vi que é uma feminista daquelas… olhe, você é que perde. má agradecida.”

A questão é: perante um homem que implora por amor desta forma é cruel ignorar ou denunciá-lo. A espécie humana não evoluiu humilhando as situações degradantes em que os homens se colocam para conquistar as suas fêmeas.

O poder não pode dar tudo a todos

“Quem parte e reparte…” Esta é a arte de ser político. Contudo há uns melhores que outros. Os que se esforçam pelo bem comum e os que abusam do poder.

A distribuição de “tachos” torna-se difícil, quando há demasiados candidatos. Por vezes deixa marcas nos preteridos. O político tem ser duro, para não sofrer com a dor de alguns que já lhe foram próximos.

Promessas

Nas zonas mais carenciadas de professores, como Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, o Ministério da Educação (ME) vai permitir que os horários por preencher sejam completados, durante o terceiro período, para assim minimizar a recusa das colocações. As escolas podem completar os horários dos docentes com apoios e aulas de compensação, sobretudo nos casos em que os alunos tiveram mais tempo sem aulas.

Alunos que estiveram mais tempo sem professor vão poder ter aulas de compensação

Por abril – S. Castilho

1. O 25 de Abril foi um rasgo de liberdade, que muitos ainda vivem. Mas nunca, como agora, a liberdade, o valor maior de Abril, se viu tão ameaçada. As verdades de Abril foram esboroando-se sob a falácia social das políticas dos últimos anos: primeiro a educação, depois a saúde e agora a paz. Tanta confusão entre verdade e mentira, tanto autoritarismo, tamanho o desprezo pelas liberdades individuais e pelos princípios constitucionais, tão grande o desfasamento entre quem governa e quem é governado, foram rasgando Abril e fizeram crescer a prole dos que desistiram da liberdade a troco de ilusórias seguranças, incapazes de ouvir os outros, definitivamente condicionados por novos dogmas.

Crescem as hordas que soltam ódio e ira. Proliferam as mentiras e as intrigas, que servem a paz por palavras e a guerra maldita pelos actos. A inquisição nova incinera quem questiona e exprime pensamento crítico. A comunicação social “embeleza” a notícia e transforma-a em sentença social. O discordar da retórica monopolista virou opróbrio e a crença histérica substituiu a dúvida em que assenta a ciência. É aqui que estamos, numa sociedade temente, definindo com mentiras novos critérios de verdade. Não me peçam para ser cego.

2. Num recente debate na RTP, Maria de Lurdes Rodrigues (MLR), a primeira e mais sinistra responsável política pelo estado do sistema de ensino, foi à cartucheira que lhe ocupa a alma e disparou esta rajada venenosa: “Não sei como chegámos aqui, assim. Não sei e não quero saber”. Porque nenhum dos intervenientes reagiu com frontalidade ao topete bolçado, atiro-lhe, agora, à cara sem vergonha, o que lhe deveria ter sido dito na altura:

– MLR foi a obreira de uma engenharia social que tornou a docência num inferno e dilacerou a vida dos professores. Liquidando a gestão democrática das escolas, concebendo uma marcha fúnebre a que chamou estatuto de carreira e um miserável modelo de avaliação de desempenho, MLR foi a coveira da classe.

– MLR promoveu a indisciplina nas escolas, com um estatuto do aluno kafkiano em matéria de ação disciplinar e provas de recuperação, artimanha para fabricar sucesso escolar.

– MLR foi a arquitecta do programa da Parque Escolar, que a própria apodou de “uma festa”. E que festa: contratos feitos por ajuste directo, sem concurso público, invariavelmente com os mesmos; uma auditoria da Inspeção Geral de Finanças (IGF) concluiu que o custo médio estimado de cada obra derrapou mais de 547%, de 2,82 para 15,45 milhões; outra auditoria, esta do Tribunal de Contas, detectou um valor superior a 500 milhões de despesas ilegalmente autorizadas.

– MLR desenhou o programa Novas Oportunidades, que o insuspeito ex- ministro das finanças do PS, Medina Carreira, classificaria como uma “trafulhice” e uma “aldrabice.”

– Embora a decisão tenha sido posteriormente revogada pela Relação, MLR foi condenada a três anos e seis meses de prisão, com pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político.

Talvez MLR venha a entender um dia que, não estando na lei, há coisas que estão na moral da República.

3. Uma Educação de qualidade requer professores suficientes, qualificados e valorizados. Do seu falso excesso, que muitos invocaram (entre eles, Passos Coelho, em 2011, e António Costa, em 2016), passámos ao grave problema da sua falta, corolário das políticas dos governos dos últimos 15 anos, que ignoraram os alertas dos próprios órgãos oficiais de aconselhamento e monitorização (CNE e DGEEC).

Líricos teóricos, descolados da realidade, começaram a aventar medidas que têm dois denominadores comuns: ou pioram ainda mais as más condições de trabalho já existentes, ou diminuem os requisitos mínimos da profissionalidade docente. Porque sei bem do que falo, afirmo que a única intervenção inteligente para acudir no imediato ao problema passa por voltar a recrutar para a profissão os milhares de professores jovens qualificados que a abandonaram. Oferecendo-lhes agora as condições de trabalho que, por não existirem, os levaram a ir embora. E passa por meter na cabeça dos pequenos políticos que, para se ser professor, não chega a posse de conhecimentos científicos. São igualmente necessárias qualidades éticas e competências pedagógico-didáticas, somadas à arte de estabelecer relações humanas com os alunos.

In “Público” de 27.4.22

3ª Feira

O Meu Quintal

Após mais de seis anos a governar, grande parte deles com o apoio de outras forças políticas, surge agora a proposta de um “pacto social para a Educação”, com a assinatura do deputado silva, porfírio de sua graça e mais um outro signatário. Tradução: queremos sossego, portanto, vamos pedir ao PSD que alinhem connosco nisto. Lamento, mas nem em sonhos, mesmo não sendo laranja. Tenham vergonha.

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