Podemos fazer a diferença… Sandra Porto Ferreira


Queremos uma escola que nos faça sonhar e que alimente os nossos sonhos, queremos uma escola que desenvolva competências, possibilitando transformar esses nossos sonhos em realidade sólida.
Educar é, em todos os momentos, ajudar a desenvolver valores, consolidar convicções, permitir a formulação de critérios, acarinhar opções e estimular a tomada de decisão. O processo educativo tem uma “magia” que não pode reduzir-se a um corpo metodológico assente em receitas mais ou menos abstratas. Carece, contudo, de um fundamento concetual, apoiado em suportes teóricos credíveis, estudos empíricos e instrumentos adequados, que constituam a sua base de sustentação e de apoio. Este processo sempre sistémico e transversal, tem que ancorar no espaço e tempo e, em consequência, tem de se adaptar aos diferentes contextos educacionais aos seus públicos.
Para o século XXI desejamos uma educação aberta às realidades da sociedade, em que o principal, objetivo seja uma educação para a vida, ligada às realidades da comunidade em geral.
Não queremos uma escola que passe apenas conteúdos. Queremos uma escola que nos faça sonhar e que alimente os nossos sonhos, queremos uma escola que desenvolva competências, possibilitando transformar esses nossos
sonhos em realidades sólidas. Enfim, uma escola que, através da criatividade, da reflexão sistematizada, conduza ao empreendorismo, à livre iniciativa e tomada de decisão, à cidadania responsável. Parafraseando Edgar Morin em Sete Saberes da Educação do Futuro, consideramos que é necessário evitar “as cegueiras do conhecimento” que impeçam a reflexão do que é saber, como construir o saber, rever e atualizar processos diminuindo as entropias.

Neste contexto de mudanças, e porque estaremos empenhados em construir uma nova reforma de viver a escola, é importante refletirmos sobre que tipo de trabalho temos desenvolvido nas nossas escolas e qual o efeito. Que resultados temos alcançado. Qual é na verdade a função social da escola? A escola está realmente a cumprir ou procura cumprir a sua função como agente de intervenção na sociedade? Para se conquistar o sucesso é necessário que se entenda e que tenha clareza do que se quer alcançar. A escola precisa de ter objetivos bem definidos, para que possa desempenhar bem o seu papel social, que é a sua maior preocupação. O alvo deve ser o crescimento intelectual, emocional, espiritual do aluno e para que esse avanço venha a fluir é necessário que a escola esteja desobstruída.
A educação engloba ensinar e aprender. O mundo não é perfeito, mas se cada um de nós fizer o que está ao seu alcance, podemos todos juntos fazê-lo melhor. A educação tem um papel muito importante nesse desiderato. A educação tem um papel muito importante e podemos “fazer” e marcar a diferença se estivemos todos no rumo do mesmo caminho. Em Educar é semear com sabedoria, Augusto Cury diz que é pelas atitudes e gestos que podemos tornar os nossos sonhos em realidade. E todos os que no dia-a-dia ajudam com os pequenos gestos e atitudes a tornar este sonho realidade vivem “intensamente o seu tempo, com consciência e sensibilidade” (Moacir Gadotti, em Boniteza de Um Sonho). Segundo o mesmo autor, “não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem Educadores”. Os Educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Eles fazem fluir o
saber, constroem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindíveis.” A educação é de todos e para todos, docentes, alunos, pais e encarregados de educação. Com professores
competentes e empenhados na educação, será possível construir um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável, tal como nos fala Moacir Gadotti, e desta forma todos juntos podemos fazer toda a diferença.

Há um bom princípio de vida: devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Ainda segundo Augusto Cury , a tarefa da educação é delicada porque um professor tem muitas ações no seu dia a dia (aprender, comunicar, ensinar, conhecer, ver, relacionar, guardar, renovar, viver, marcar, partilhar, escrever, classificar, ajudar, imaginar, ler, formar, cooperar, informar, construir,
gerir e ouvir). A melhor forma de educar é estar atento às necessidades dos nossos alunos, aprendendo a ouvi-los e a respeitá-los. Afinal o que realmente faz a diferença? É o fazer acontecer a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas. Zenita Guenter, numa das suas intervenções, diz que ” as pessoas aprendem quem são e o que são através da maneira como são tratadas pelas pessoas mais importantes na sua vida,”
Bibliografia de referência
Gadotti, Moacir , (2003). Boniteza de um Sonho – Ensinar e aprender com
sentido. Novo Hamburgo: Rio Grande do Sul – Brasil.
Cury, Augusto, (2010). O Mestre da Sensibilidade. Jesus, o maior especialista
no território da emoção. Publicações Dom Quixote: Alfragide: Portugal.
http://rucamartinsporummundomelhor.blogspot.com/2008_02_03_archive.
html (consultado a 27 de agosto de 2011)
Sandra Porto Ferreira (Investigadora na Universidade de Aveiro – STE(A)M)