Escolher o bem ou o mal compete a cada um… Sandra Porto Ferreira

E para isso precisamos, urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores aos seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prémio de compensação.

É bastante comum as pessoas justificarem os seus erros, invocando as suas precárias condições de vida.

Dizem que foi o desespero que as levou a tomar atitudes equivocadas ou que as circunstâncias negativas as fizeram agredir o seu semelhante ou as suas propriedades.

Filhos agridem pais porque não lhes deram o que pediram no momento exato…Irmãos que mentem, enganam para ter um “quinhão” maior em heranças, não se importando em que condições ficarão os demais irmãos…

Viktor Frankl, um judeu vienense, que foi prisioneiro dos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu: “Nós que vivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, distribuindo os seus últimos pedaços de pão…” Talvez eles tenham sido poucos. Mas são prova suficiente de que tudo pode ser retirado e um homem. Menos uma coisa, a última das liberdades humanas – escolher que atitude tomar em quaisquer circunstâncias, escolher o seu próprio caminho.

Portanto, escolher o bem ou o mal compete a cada um. O que nos falta sim é uma melhor educação. Mas aquela que tem a ver com a formação do carácter de cada um. E para isso precisamos, urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores aos seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prémio de compensação.

Pais que tenham coragem de falar aos seus filhos sobre os dias mais tristes das suas vidas. Que tenham a ousadia de contar sobre as suas dificuldades do passado e como as conseguiram ultrapassar. Pais que não desejem dar um mundo aos seus filhos, mas que queiram sim abrir-lhes o livro da vida. Pais presentes que desenvolvam nos seus filhos: a autoestima, a capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos stressantes, dialogar e ouvir.

Pais que tenham tempo, mesmo que o tempo seja curto, que se sentem para conversar com os seus filhos sobre tudo o que os rodeia, descobrindo-lhes desta forma o mundo íntimo. Pais que não se preocupem somente com festas, com roupas, aniversários e com produtos eletrónicos. Mas que também se preocupem em dialogar e refletir.

Pais que sabem que não devem atender a todos os desejos dos seus filhos, pois isso torná-los-á fracos e dependentes. Existem pais que dão algo que “todo o dinheiro do mundo não pode comprar”: o seu amor, as suas experiências, as suas lágrimas e o seu tempo. Um autêntico processo de educação em que o filho aprende que amar é o maior dos tesouros. E não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa griffe, ou não conseguiu viajar ao exterior nas férias.
É bom sempre pensar num bom processo de educação.