Alunos chegam ao 5°ano sem saber ler?

Graças ao facilitismo criado pela legislação vigente, serão cada vez mais os alunos a chegar ao 2°ciclo, sem completar a aprendizagem da leitura/escrita. Pais (os preocupados) com receio do novo fenómeno de analfabetismo, procuram soluções no exterior da escola. “Explicações” após as aulas ou reforço do trabalho em casa são algumas delas. Por muito bom que seja o trabalho de psicologia, terapeutas e professores da Educação Especial, nada substitui a reaprendizagem consistente da leitura/escrita quando esta falha nos primeiros anos do 1°ciclo.

Dá gosto ouvir uma criança ler com desenvoltura!
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4 opiniões sobre “Alunos chegam ao 5°ano sem saber ler?”

  1. Fui na quinta ao futebol (só tinham nove e nesses dias chamam o velho) da escola poeta Aleixo e apenas levei com a bola no estômago quando estava à baliza.

    “Há os que trabalham e porque trabalham são contemplados com cargos, coordenações, projetos e carradas de emoções. São afogados em burocracias que lhes ocupam tanto tempo, que o que resta se começa a tornar insuficiente para aquilo que deveria ser a sua principal função – dar aulas, ensinar. Não é só o tempo que se revela insuficiente, é a disponibilidade mental, a motivação e a satisfação.
    Depois há os que se passeiam, alegres e airosos, pululando de sala em sala, pregando cantos de “belo-dizer”, fazendo da “lambe-botice” a sua forma de estar e do “laissez-faire laissez-passer” a sua forma de ser. Aqueles a quem é reconhecido o mérito, a integridade, a “piscina” no meio da sala.
    Confesso, há dias em que mais valia levar com uma bola na cabeça.

    #FartoDistoTudo #desmotivado”
    Ó pressôre

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  2. Um texto que poderá ter opiniões adversas à minha, mas que estarei disposta a ouvir/ler e debater. Não tenho problemas nenhuns em mostrar a minha opinião sobre tema tão importante, aliás, até sinto a necessidade de o fazer, portanto, aqui vai…

    Este fenómeno está a tornar-se uma realidade no ensino português…
    Para evitar este tipo de situações, e como a ajuda de terceiros não é possível chegar a todos, algo terá de ser feito para mudar o que ainda pode ser reversível.
    A incapacidade de alguns pais em ajudar os seus filhos com os estudos é cada vez mais comum, seja porque não têm tempo suficiente para lhes disponibilizar a atenção que necessitam, seja porque não têm conhecimentos suficientes.
    Muitos diagnósticos de défices de aprendizagem ficam para trás por falta de atenção tanto da escola, como da comunicação da mesma com os encarregados de educação.
    A escola tem de ser um suporte onde os alunos se sintam seguros e consigam evoluir, sem serem colocados de parte por não apreenderem tão rápido. Toda a ajuda tem de ser disponibilizada, em vez de deixar correr estes problemas.
    Muitos temas surgem consequentemente e isso leva-me a pensar nas seguintes questões:
    1) Serão certas crianças mais “imaturas” de modo a não conseguirem acompanhar os colegas?
    2) Serão essas crianças que posteriormente surgem com défices de aprendizagem, e que na maioria das vezes recebem o diagnóstico tardio? Haverá necessidade para esse diagnóstico ser feito e dado tão tarde?
    3) Serão os conteúdos de aprendizagem demasiados para os anos escolares? Será necessário apressar tanto o processo de aprendizagem da leitura e da escrita?
    4) Porque razão as escolas nem sempre têm o apoio necessário para ajudar aquelas crianças que mais precisam de mais apoio? Já que os alunos têm de seguir os conteúdos de aprendizagem impostos, não deveria existir mais ajuda para os que têm mais necessidade?
    5) Muitas outras que não vou referir pois estaria-me a prolongar demasiado.
    Respondendo agora às minhas questões, considero logo que no ponto 1 estaríamos a colocar a culpa na criança, o que não se justifica, porque nada é feito para controlar a situação. Ora vejam, quem consegue determinar se uma criança é imatura ou não? Os pais? Os médicos? A escola? Não se sabe, pois ninguém se decide e existe muita falta de comunicação por parte de todos, e deste modo, a criança tem de entrar para a escola obrigatoriamente com 6 anos, tenha ou não maturidade suficiente (e já não vou entrar pelos alunos chamados de “condicionais” pois não fazem os 6 anos até dia 15 de Setembro, ou lá o que é. Em relação a isso só tenho a dizer que muitos desses “condicionais” têm mais maturidade em relação a alguns que entram para o primeiro anos só porque têm os 6 anos… Mas isso é outro tema que também deveria ser discutido…)
    Isto tudo para dizer que no ponto 1 a culpa é colocada na criança.
    Já no ponto 2, pergunto-me se realmente todos recebem o devido diagnóstico, caso o tenham, e se há preocupação pela parte de todos os ambientes que rodeiam a criança. Digo isto porque como já referi anteriormente, a comunicação e a preocupação com a criança é essencial. Se não há pais preocupados, devia haver professores preocupados, especialistas nas escolas que conseguissem detectar este tido de problemas. Mesmo que haja uma suspeita, se as escolas não têm os devidos profissionais para fazer o diagnóstico e o sistema público é um grande problema por ser lento e demasiado cheio, o que farão os pais que não têm condições para pedir ajuda particular, ou como se sentirão aquelas crianças que não têm o apoio dos pais? Bem, a resposta é simples, não se sentirão bem nem em casa, nem na escola, dois ambientes que deviam ser seguros para ela.
    O ponto 2 tem mais uma pergunta, se haverá necessidade para os diagnósticoa serem tão tardios. Estudos comprovam que é possível observar défices de aprendizagem desde a pré-escolar, mas raramente algo é feito. Segundo consta, apenas no final do segundo ano, se não mais tarde, é possível obter o diagnóstico e o devido relatório. Porquê? Não sei.
    No ponto 3 surgem novas perguntas agregadas àquela que fiz, mas aí só tenho uma coisa a dizer: ou diminuem a quantidade de conteúdos de aprendizagem nos primeiros anos escolares, ou dão mais suporte e apoios àqueles que não os irão conseguir acompanhar (e isto vai desde terapias, ao estudo e aos “chumbos”, que a esta altura nem são colocados em questão, foram completamente excluídos do plano, a menos que os pais peçam “autorização” para realizar tal procedimento). Claro que depois surgem novas dúvidas, mas que não vou referir agora.
    A minha resposta para o ponto 4 também é bastante sucinta. Tenho conhecimento da falta de professores no ensino básico, mas também tenho conhecimento da falta de colocação de certos professores que ainda não entraram no “quadro”. A maioria são de Primeiro Ciclo, que é precisamente a etapa escolar que estou a falar. Pergunto-me, já pensaram em colocar esses professores a dar apoio a outros já colocados ou que estão no quadro? Não seria má ideia e se calhar muitas coisas podiam mudar…
    Sei o que podem estar a pensar, quem serei eu para estar a dar estas sugestões quando não estou dentro de todas as burocracias que existem. Tenho perfeita consciência que não é fácil alterar o que já existe, mas começar e dar os primeiros passos não seria má ideia.
    Continuando para o ponto 5, que não deixei claro a que me referia, como virão, já acrescentei mais ideias quando desenvolvi as perguntas anteriores e a conclusão que tiro disto é que não custa nada ler ou ouvir o que as gerações de futuros professores têm a dizer. Não custa nada falar e debater estes assuntos. Não custa nada criar uma lista do que pode estar a potenciar estes problemas que posteriormente levam a outros.
    Utilizem os recursos que quiserem, papel e caneta, esquemas, computadores, o que for mais fácil, mas por favor, e digo isto como futura professora, abordem estes temas nas faculdades, façam palestras… Ministros, falem entre si, tirem um tempo para dar (mais) atenção a estes assuntos para que consigamos resolvê-los!
    Tenho tanta coisa a dizer que não pode ser tudo escrito num texto destes, talvez futuramente o faça na minha Tese e essa possa ser usada como exemplo.
    Não perco a esperança, e já que tenho liberdade para falar sobre o assunto, começarei por aí. Espero muito sinceramente, daqui a uns anos, tornar-me professora de Primeiro Ciclo ou quem sabe, de Ensino Especial, mas confesso que as coisas também não estão fáceis para os futuros professores, que ainda se encontram a estudar.
    Muitos desafios estão pela frente, tanto para mim como para todos os alunos que estão a ingressar no seu primeiro ciclo de escola, e tenho mesmo muita esperança que algo mude, tanto para bem deles, como do próprio país.
    O futuro do ensino não está só nas mãos dos atuais professores e dos que estudam a área para um dia se tornarem um. O futuro do ensino também está nos próprios pequenos (grandes) alunos que têm de corresponder ao que lhes é exigido (e por aí vai surgir um novo ponto, o desinteresse escolar, mas falaremos disso noutra altura…).
    Dito isto, assino este texto como meu, aluna da Licenciatura em Ensino Básico e futura professora.
    Beatriz Folgado

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