Victor Santos no facebook

Não. Amanhã não faço greve.

Quarta feira, um dia a seguir a um feriado e a uma possível “ponte”? Não, não faço.

Entrei no ensino em 1999. Apesar de ter na altura habilitação suficiente e depois própria, decidi ir para a ESE de Lisboa, e tirar o curso de professores do Ensino Básico Variante de Esucacao Musical.

Tenho feito TODAS e mais algumas greves, e até sou acusado em certas escolas de ser “sindicalista”

Não! Amanhã não faço greve.

O estado agradece a quem fizer, os ATL’s também, e os pais ainda vão dizer: “estes, que têm 3 meses de férias, aproveitaram para mais 5 dias para passear”

Não! Amanhã faria greve se: os meus colegas se unissem e estivéssemos na escola sem dar aulas, com cartazes na mão, e quem sabe da parte de fora da escola, rumando a Lisboa em frente ao ministério da educação.

São mais de 20 anos de serviço em que o meu e o vosso ordenado é inferior a 2008/2011. Direta e indiretamente (para quem perde um pouco do seu tempo livre a pesquisar inflação, etc, etc)

Sim: um dia voltarei a descontar do meu salário um dia de greve: 80 ou mais euros. Ganho isso num dia? Não! Ganho muito menos por causa dos impostos.

Neste momento estou solidário com todos os que ganham salários mínimos: é indecente. Sim é. Mas se pensarem, existem umas quantas dezenas de milhares de profissões que apesar de anos de conservatório, para poderem entrar na universidade (para quem não sabe existiam os pre requisitos, como por exemplo na turma de 2000 na ESE de Lisboa, de 80 candidatos sensivelmente, entramos 21. 21 apurados porque íamos aprender durante 4 anos, metodologias. Música já nós sabíamos)

Não. Amanhã não faço greve. Não iria passar fome pelos 80€ a menos em dezembro no meu recibo de vencimento. Mas dormiria até tarde, fazia mais uns quizzes para colocar na classroom, e até quem sabe, me deitasse no sofá a ver uma boa série num dos canais streaming que ainda vou conseguindo pagar.

Nao! Nem sequer vou reler o que escrevi. Estou a passear o meu animal de estimação (uma cadela bem velhota) e sinto-me feliz por o estar a fazer e sentar-me para escrever estas linhas, e grato, por não ter de dividir uma sardinha por 3 como a minha mae o teve de fazer nem há 50 anos atrás.

Sim: esses lutadores conseguiram direitos. Mas com muito sacrifício. Verdadeiros heróis, de uma revolução do dia 25 de abril de 1974.

Eu não estava cá: mas, nunca me hei de esquecer e vos agradecer: SIM, UM DIA FAREI GREVE QUANDO FOR PARA LUTARMOS VERDADEIRAMENTE PElOS NOSSOS DIREITOS.

Assinado:

Victor Santos. Professor de alma, coração, mas triste por saber que tantos sofreram e que tanto não aprenderam nada com a História. (Com H maiúsculo)

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