Paula Dias no blogue do ArLindo

Quando um sindicato se torna a caricatura de um sindicato

Perante o cenário de catástrofe iminente para toda a Classe Docente, originado por obra e graça do Ministério da Educação, o que faz a maior Federação de Sindicatos de Professores?

Nada, basicamente não faz nada…

Nada. Porque, na prática, e dada a gravidade dos problemas criados pelas mudanças desastrosas que se adivinham na vida profissional dos Professores, agendar uma Manifestação para Março de 2023, ou organizar, até lá, para fazer passar o tempo, umas vigílias, uns abaixo-assinados ou uns pedidos de audiência, corresponderá a, efectivamente, nada…

 Ou alguém acredita que tais acções “reivindicativas” obrigarão a Tutela a retroceder no que quer que seja, ainda para mais com o apoio concedido por uma confortável maioria absoluta no Parlamento?

Se isso é o melhor que a Fenprof consegue fazer em termos de luta, de protesto e de reivindicação, num momento tão crucial para todos os Professores como o actual, restará, então, afirmar que esse Sindicato se tornou numa caricatura de um Sindicato…

Num dos momentos mais difíceis para os Professores, após o 25 de Abril de 1974, em vez do apoio inequívoco da Fenprof e da firmeza do seu líder, os Professores foram brindados com vacilação e letargia…

Deste momento, ficaria, por certo, uma caricatura risível, patética e jocosa, não fosse dar-se o caso de tudo isto poder ser realmente trágico…

Se se concretizarem todas as malvadezas que, nas últimas semanas, têm vindo a ser preconizadas, e algumas já anunciadas, pelo Ministério da Educação, o mundo profissional que os Professores conhecem deixará de existir, muito em breve…

A decisão da Fenprof, agora oficialmente conhecida, de não aderir à Greve convocada pelo Sindicato STOP, indicia que essa Federação de Sindicatos de Professores colocará acima de tudo e de todos o seu próprio protagonismo e o “elitismo” corporativista, em detrimento da união e da defesa efectiva dos interesses dos seus supostos representados…

A actuação da Fenprof, ao evidenciar uma postura pedantemente arrogante face à luta encetada pelo Sindicato STOP e uma frouxidão incompreensível face às intenções da Tutela, permitirá pressupor que:

– O seu poder negocial junto do Ministério da Educação seja nulo;

– A sua credibilidade, junto dos supostos representados, depois desta baixeza, seja praticamente nula.

Ou seja, a Fenprof parece caminhar, a passos largos, para se tornar numa nulidade em termos sindicais, sem sequer ter a desculpa de que outros tenham contribuído para isso, bastando-se a si própria para esse efeito…

Mas as traições da Fenprof face aos Professores não são algo inédito, se recordarmos que, em 2010, já tinham cedido a um ruinoso acordo, alegadamente selado com pizzas, com a então Ministra da Educação Isabel Alçada, desbaratando toda a força e união, alcançadas em 2008, pela maior Manifestação de Professores alguma vez ocorrida em Portugal…

A actual deserção da greve por tempo indeterminado também não pode deixar de ser considerada como uma traição aos Professores, a segunda perpetrada pela Fenprof, de forma flagrante e absolutamente visível para todos…

E, afinal, partir pratos não passou mesmo de uma manobra de diversão, de um “fait-divers”…

A acção, concreta e verdadeiramente consequente, contra os atropelos à dignidade profissional dos Docentes ficou novamente “guardada na gaveta”…

As muitas palavras dos maiores Sindicatos de Professores parecem servir apenas para esconder ou disfarçar a sua própria passividade e incompetência, acabando por reforçar as políticas erráticas da Tutela…

Que outras evidências serão necessárias para que a Fenprof deixe de conceder sucessivos “benefícios da dúvida”  e oportunidades ao Ministério da Educação?

Não existem ainda factos suficientes que justifiquem uma greve por tempo indeterminado?

A farsa das “coreografias bem encenadas” também parece continuar, cada vez mais fortalecida, plausivelmente dominada por “pactos de não agressão” em relação ao Ministério da Educação e por “agendas partidárias”…

A descrença generalizada dos Professores na maior parte das estruturas sindicais que supostamente os representam, que já era um dado adquirido, torna-se, agora, ainda mais evidente e incontornável…

Quanto às traições da Fenprof, a sabedoria popular talvez possa aconselhar os Professores: “Na primeira todos caem, na segunda só cai quem quer”…

Neste momento, parece que é oficial: a Fenprof tornou-se numa piada (de mau gosto) do Sindicalismo, à custa do seu próprio desempenho…

E bem poderão arrogar-se o título de “maior e mais representativa organização sindical de professores em Portugal” (página online da Fenprof), que isso apenas acentuará, ainda mais, a sua negligência na defesa da Profissão Docente…

Má sorte para quem é Professor em Portugal: ter que contestar, além da Tutela, agora também, parte significativa daqueles que deveriam zelar pelos seus interesses profissionais…

Perante a inoperância da Fenprof face ao “abismo ali tão próximo”, fica-se verdadeiramente incrédulo e não pode deixar de se sentir vergonha alheia…

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