Christmas in swing

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Come e cala-te – Um texto de Luís Costa

Se eu fosse político, um político genuíno que raciocina politicamente faria exatamente o que os nossos queridos políticos têm feito à Escola Pública e aos professores.Se tivesse de avaliar, com critérios estritamente políticos, a atuação dos últimos ministros e secretários de estado da Educação, todos estariam entre Muito Bom e o Excelente.

Na verdade,os nossos políticos têm feito autênticos milagres no complexo território da Escola. Os professores queixam-se, mas a realidade está aí para provar que não têm razão no que dizem. Mais: a realidade está aí para demonstrar, à saciedade,que os docentes são quem menos percebe destas coisas do ensino. Mais ainda: a realidade está aí para mostrar que os professores precisam de vendas nos olhos e supervisão espiritual. Queira o meu paciente leitor fazer a fineza de passar ao parágrafo seguinte.

Na verdade,os nossos políticos têm feito autênticos milagres no complexo território da Escola.

Só um político doido cometeria a imprudência de divergir dos auspiciosos caminhos que a Educação tem vindo a trilhar. Os professores queixam-se do elevado número de alunos por turma, de falta de auxiliares de ação educativa (ou técnicos operacionais, se preferirem), de excesso de burocracia, de falta de autoridade,de constante desregulação do sistema e das práticas, mas os resultados escolares têm melhorado.

Se eu fosse político, um político genuíno que raciocina politicamente continuaria a meter pão na boca de quem ensina e dir-lhe-ia com meiguice: Come e cala-te! E deixa o ensino para quem sabe realmente da poda!

Luís Costa

A profissão docente já não é atrativa, já não é prestigiante, já não é bem remunerada, já não tem muitas férias

Por arlindovsky

Esta é a opinião de Rui Cardoso hoje no Público on-line.

O Inverno demográfico na educação

Quando se fala no envelhecimento da sala dos professores, não nos estamos a referir ao local, mas ao conteúdo.

É o que os especialistas chamam ao fenómeno que está a acontecer nas escolas portuguesas, o envelhecimento dos professores. O que leva a isso? O envelhecimento da população, o aumento da idade de reforma, a falta de candidatos a professores e os critérios de colocação nas escolas.

relatório Reviews of School Resources da OCDE, referente ao ano letivo de 2016/17, revelou que a idade média dos professores do 1.º ciclo é de 47 anos, e que apenas 0,39% se encontra abaixo dos 30 anos. No 2.º ciclo, a idade média é de 50 anos de idade. E no 3.º ciclo e secundário, a média de idades é de 49 anos. Já em 2015 a idade média dos professores contratados, colocados em horários completos e anuais na contratação inicial (CI) do mês de agosto, é superior a 40 anos, chegando aos 50 anos em alguns grupos de recrutamento.

Dos mais de 107 mil professores do Escola Pública, apenas 424 têm menos de 30 anos. Estes números caraterizam bem a classe.

Quando se fala no envelhecimento da sala dos professores, não nos estamos a referir ao local, mas ao conteúdo. Os professores portugueses são uma classe envelhecida. Se juntarmos isto à classificação de profissão de desgaste rápido, podemos aferir que podemos estar a ficar sem professores a um ritmo acelerado…

Alunos de mérito não querem ser professores

http://omirante.pt/sociedade/2018-12-10-Alunos-de-merito-nao-querem-ser-professores

Os melhores da turma estão atentos nas aulas, gostam de ter a matéria na ponta da língua e valorizam os professores, mas seguirem essa carreira não é opção. “É uma profissão subvalorizada em Portugal, que não tenciono seguir”, disse uma das jovens contemplada com medalha e diploma de mérito e excelência. 

Os alunos reconhecem ao professor a nobre missão de lhes ensinar a matéria, mas também a transmissão de valores que os vão moldar no futuro. Há até aqueles que se inspiram no professor e lhe apanham traços da personalidade. Mas, no que respeita à profissão, o caso parece mudar de figura. O MIRANTE questionou alguns dos melhores alunos de 3º ciclo, que foram distinguidos na sexta-feira, 30 de Novembro, na cerimónia de atribuição de mérito e excelência escolar do concelho de Vila Franca de Xira.

Irrequieta e expressiva, Manuela Pinheiro, 15 anos, é uma das alunas premiadas da Escola Secundária Alves Redol. Não responde com certeza, mas diz que no futuro quer ser neurocientista. Ser professora não entra no leque de opções porque “a profissão de professor é muito subvalorizada em Portugal”. Entende ainda que “é uma profissão muito complicada de seguir hoje em dia”, por todas as dificuldades de colocação e progressão na carreira que a classe enfrenta.

Não ter paciência para ensinar ou lidar com alunos é o motivo que Margarida Miranda, de 15 anos, outra aluna premiada da Escola Secundária Alves Redol, encontra para dizer não à profissão de professor. A mesma opinião tem Catarina Torrão, de 15 anos, da Escola Dom António Ataíde, que também recebeu nessa tarde o prémio de mérito escolar. “Os professores têm um papel muito difícil. Ensinar jovens não é fácil e não me consigo imaginar a fazer isso no futuro”.

A ministra da Cultura não fez o TPC

A ministra da Cultura, que tutela a pasta da Comunicação Social, marcou de novo a diferença pela ignorância, na apresentação do novo logotipo da Lusa. Segundo o ‘Expresso’, na cerimónia realizada terça-feira, em Lisboa, na sede da agência de notícias estatal, Graça Fonseca disse que se tratava de uma empresa “100% pública”.

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/ministra-da-cultura-comete-nova-gafe?ref=HP_Grupo1


Reformas

Os professores já avisaram, o Conselho das Escolas já avisou, a OCDE já avisou e agora é o Ministério da Educação a assumir que cerca de 10% dos professores vão passar à reforma nos próximos 5 anos.

Apesar de tarde que chegue à aposentação ainda com saúde!

Professor está entre as 10 finalistas a palavra do ano

A luta pela contabilização dos nove anos, quatro meses e dois dias do tempo congelado é uma das justificações para a presença de “professor” nas candidatas a palavra do ano. O dicionário descreve essa palavra como um nome masculino de uma pessoa que ensina uma ciência, uma atividade, uma arte. Mas é muito mais do que isso.
Os blogues também contribuíram!

Paulo Cabral no facebook

O ar no ensino tornou-se irrespirável, porque é uma profissão que se desumanizou….A tutela tem uma oferta quantitativa desmesurada e faz o que lhe dá na real gana…

A sociedade mudou muito, os conglomerados de ensino trouxeram burocracia em excesso e mensurabilidade de práticas, em folha de Excel…como o resto da meritocracia envolvente, modelos que importámos.

A consequência de tudo isto é que a noção, sentimento e sentido de compromisso que “O contrato social” (como lhe chamou Rousseau), propunha entre os cidadãos e o estado esfumou-se, neste virar de século……e deu lugar a esta Babel, de excessos e insanidade, em que ninguém se entende e todos, provavelmente, têm razão…

Sou professor e desisti… João Lima

Fonte: http://professorimperfeito.blogspot.com/

||| … das coisas que mais me custam é saber que desisti desta escola. não acredito em nada do que ela representa. resta só, ainda, ser um lugar onde estão todos. a escola que eu sonho não é esta. nunca foi. nunca será. e quem está mal, muda-se. assim o fiz. lutei anos e anos, perdi muito mais do que ganhei, por tudo aquilo que acreditei poder ser uma escola de liberdade, conhecimento e curiosidade. o sentido é o inverso. e tudo parece correr bem. queria uma escola sem muros. de portas abertas. de gente que sabe e que aprende. de partilhas. de leituras. de conversas. acredito que a escola pode ser tudo isso. nunca deixarei de acreditar. não há lugar para mim neste sistema. mesmo tendo tentado mais do que devia. é tempo de fechar as portas. é-se professor. é uma essência que nos define. não é uma profissão. mas há um tempo para tudo. para acreditar. e para ver que estamos a mais. que errámos demais. que falhámos, connosco e com os outros. mas acima de tudo, porque não conseguimos mudar nada. por isso, cada palavra que poderia vir a escrever aqui no futuro seria desligada da realidade. e nada há de mais triste do que isso. não deixarei de acreditar, nunca, noutra escola. nunca. mas isso agora será só um pensamento no silêncio dos deuses…

Não desistam!

Avaliação dos professores – Para pior já basta assim

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aconselha Portugal a rever, “a longo prazo”, o sistema de colocação de professores nas escolas. Recomenda que se aposte na avaliação dos docente

E diz que o país devia abrir mais “as portas das salas de aula” — ou seja, fazer com que as aulas sejam mais observadas, nomeadamente pelos “coordenadores de departamento” dos estabelecimentos de ensino, para que estes possam “fornecer feedback regular aos professores” sobre o seu trabalho…Alargar a autonomia das escolas — Portugal tem também feito esforços nesta área, refere-se —, é outra recomendação. E a descentralização em curso, para as autarquias, não é esquecida.

Comentário: A figura do capataz e a falta de respeito pela autonomia dos professor na sala de aula encomendadas pelo governo?