Carta ao Ministro de Educação | A diferença de vencimento nos professores. — ComRegras

Esta é uma questão sensível mas que está bem presente nos meandros dos professores. Em vez de ignorarmos o problema, sou apologista de olharmos de frente a situação mas conscientes que não ganhamos nada apontando o dedo uns aos outros… Publico esta carta respeitando o anonimato solicitado. Sou professor há 20 anos. Estou colocado, desde 2005 no

 2º escalão. O meu vencimento líquido é de 1200 euros. Frequentei um mestrado cuja tese me falta entregar, por falta de motivação para a concluir e porque me custa dar o valor das propinas, sabendo que o efeito da entrega da tese e da sua defesa não é nenhum, em termos de carreira docente.

Salvo alguns períodos muito curtos, a verdade é que me encontro no mesmo escalão, há mais de 10 anos, vendo o meu vencimento diminuir quase todos os anos. Este último ano voltaram a cortar-me mais 60 euros do ordenado, pois com a “subida” do vencimento (reposição dos cortes????) subi de escalão de IRS. Encontro-me num escalão onde estão muitos colegas meus, casados e com filhos. As contas ao fim de mês são sempre difíceis de fazer e é preciso andarmos sempre com engenharias para conseguir pagar todas as despesas. Os colegas mais velhos da profissão estão igualmente congelados, mas em escalões de topo (7º, 8º e 9º). Pergunto se é justo, nos mesmos anos de congelamento, uns professores estarem congelados em escalões inferiores e outros estarem congelados em escalões de topo? A diferença nos vencimentos é muitíssimo grande, numa profissão onde fazemos todos o mesmo e onde os mais velhos ainda têm as reduções de horário, para além de estarem ao pé de casa e escolherem os horários e as turmas com que querem trabalhar. Não é ressabiamento mas é justiça. Não é justo em mais de 10 anos de congelamento uns estarem congelados no 9 escalão e outros no 1º ou 2º, pois os primeiros, não podem progredir mais. Venho por este meio pedir ao Sr. Ministro que considere o descongelamento, principalmente para os professores que estão nos escalões inferiores. No meu caso estou posicionado no 2º escalão, como se tivesse cerca da 7 anos de serviço. Na escola informaram-me que depois do descongelamento, ainda teria que estar mais 1 ano no mesmo escalão. Isto parece uma piada de mau gosto. Tenho 43 anos e tenho um vencimento de alguém com cerca de 7 anos de serviço; nunca pensei que o nível de desmotivação que vivemos fosse tão grande. Esta injustiça está a tornar-se cada vez mais evidentes para os colegas quarentões, pois os colegas mais velhos trabalham menos e ganham bastante mais. Um deles disse-me que ganhava tanto como um deputado municipal e que por isso não se podia queixar. Neste momento, nas escolas, existe uma dualidade de vencimentos que não se compreende e que está a originar revolta e frustração. Obrigado pela vossa atenção. Penso que no fim quem fica a perder são os nossos alunos e o país pois a qualidade da educação prestada não é a melhor devido à desmotivação por não se sentir que o nosso trabalho é valorizado e reconhecido.

Professor

Carta ao Ministro de Educação | A diferença de vencimento nos professores. — ComRegras

19 opiniões sobre “Carta ao Ministro de Educação | A diferença de vencimento nos professores. — ComRegras”

    1. Estou no 7° há 10anos. Tenho 8turmas, 168 alunos, 4 níveis, D turma, 10alunos com medidas. Na minha escola Nenhum professor escolhe turma, muito menos o serviço que irá ter no ano seguinte. Mas compreendo o desabafo, porque traduz o real contexto de Todos os professores e nos toca a todos sem exceção!

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  1. Estou no 9 escalão, tenho 4 turmas,duas do Básico e 2 secundário, das quais uma de profissional,tenho 2 línguas, três níveis, direção de Turma de 9 ano.Tenho 40 anos de serviço.

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  2. O relato ond expoe a sua situação profissional é justa no que afirma em relação ao desânimo e falta de incentivos e reconhecimento mas quando se compara com a situação de colegas mais velhos e com mais tempo de serviço cai no erro de generalizar. Ninguém tem o tempo de serviço contado na totalidade e não se escolhe as turmas e os horários só pela antiguidade. Por vezes é pela relação com as direções. Se lhe interessa saber, informo que tenho quase 59 anos, 29 anos de serviço no ensino (e outro tempo noutras atividades profissionais ) e estou no 4 escalão desde 2009 sem saber quando mudo pois nem a litas das cotas de acesso ao escalão seguinte foi publicada como manda a lei.

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  3. Estou no 7° há 10anos. Tenho 8turmas, 168 alunos, 4 níveis, D turma, 10alunos com medidas. Na minha escola Nenhum professor escolhe turma, muito menos o serviço que irá ter no ano seguinte. Mas compreendo o desabafo, porque traduz o real contexto de Todos os professores e nos toca a todos sem exceção!

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  4. Lamentável? É, efetivamente, um lamento o do(a) colega, mas com muitas verdades. Generalizações todos nós as fazemos. Mas o que me intriga é ninguém referir que os que agora estão no topo alcançaram-no em tempos em que o processo era mais simples e rápido. E havia esperança…

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  5. E enquanto estivermos a discutir os 365… os dois anos e outras minudências temos um Ministério da Educação que desrespeita tudo e todos! Do 1º ao último escalão!
    Que “classe” profissional tão desunida!
    Os mais velhos vêem os seus direitos atropelados! Os do meio idem! Os mais novos apontam o dedo aos mais velhos!
    A profissão é a mesma, exigência igual e tabela salarial igual! Peço desculpa por ser mais velha e ter começado a dar aulas mais cedo !!!
    Tenho 32 anos de serviço, licenciatura ( 4+2) parte curricular de mestrado (3 semestres). Tenho “apenas ” 3 (2 turmas- 2 turmas de História A e 1 turma de História B), DT, Plano Nacional das Artes, Plano Nacional de Cinema e um apoio de 11º ano.
    A semana passada, entre reuniões, aulas, atendimento aos EE trabalhei 50 horas para a escola! Vencimento no próximo dia 21 de fevereiro: +/- 1475 euros líquidos! O cerne da questão é unir e apontar o dedo a uma tutela que nos espreme e humilha todos os dias!
    Quando leio o de comentário do colega, vislumbro o que a tutela pretende: mordam-se uns aos outros … a caravana (leia-se legislatura) passa … e fica tudo na mesma! Trabalho escravo … classe profissional desconsiderada…!
    Toca a unir!
    Somos todos professores do 1º ao 10º escalão!

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  6. Diz este prof que os mais velhos têm redução de horário mas não refere que esta redução é preenchida com outros serviços e que, a maior parte das vezes, estão bastante sobrecarregados.
    Esqueceu- se também que os mais velhos tb já estiveram em início de carreira

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  7. A colega pode mostrar todo o seu desagrado mas pedir para si e não dar aos outros acho desonesto. Também já estive nas mesmas circunstâncias da colega. Pagava para trabalhar pois o que ganhava não dava para o quarto, comida e transporte. Sou do 1° ciclo, chego a ter os 4 anos de escolaridade. Nunca tivemos qualquer redução de horário nem escolhemos as turmas. Se quer saber, ganho menos 600€ do que ganhava em 2000. Tenho quase idade de reformar-me e ainda estou no 7° escalão. Isto está errado para TODOS!

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  8. Então … versão adaptada da “peste grisalha” entre colegas????? Sempre a malhar nos mais velhos … por acaso preocupam-se com o percurso dos mais velhos até chegarem aos escalões de topo?????? Por estas e outras tantas que já não tenho a mínima tolerância e, muitas vezes, nem respeito … iiiirrrraaaaaa … não chega a campanha sórdida de desinformação iniciada por uma desclassificada a que deram a “rédea2 do ME em 2005 e continuada até ao presente???

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  9. O incrível disto tudo é um professor nem sequer conseguir perceber que o subsídio de refeição não faz parte do ordenado. Portanto, o 2º escalão não são 1200 euros líquidos como diz mas sim 1100 euros líquidos.

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  10. Para resolver o seu problema deveriam, “matar” os professores mais velhos…. Também tiveram inicio de carreira…..Estou no 7 escalão há 10 anos e tenho 34 anos de serviço. Dou duas disciinas além de AE, CD, CA e Direção de Turma.
    A classe está assim porque há colegas com umbigos muito grandes.

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    1. Não consigo perceber como alguém faz estas afirmações sem pensar que um colega chegou ao escalão que está seja ele qual for sem passar pelos anteriores. “Quem andou não tem para andar”. Os colegas “calimeros desculpem a expressão. imaginam o que os mais velhos já passaram? Que as horas de redução são todas ocupadas com apoios, que muitas vezes era melhor estar com turma. É por este tipo de atitudes que o ME sai sempre a ganhar, ou ainda não perceberam? ” Dividir para reinar”.

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  11. Sou educadora de infância, com 57 anos de idade, 36 anos de serviço em regime de monodocencia, tenho 25 alunos, 14 de 3 anos e 11 de 4 e 5 anos.Os mais novos são muito dependentes, pedem colo e urinam na roupa várias vezes ao dia e com tal não tenho redução.Muitas colegas já estão aposentadas desde os 52 anos e em escalões superiores.Estive congelada desde 2004 com licenciatura, progredi agora, por isso não concordo de forma alguma com o seu texto.

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  12. Diulio,não sei junto de quem se informou, mas não tenho nenhum ordenado chorudo. Dou aulas há 30 anos. Tive 14 anos no mesmo escalão. Mudei de escalão há uns meses e fiquei a receber menos 39 euros. Estou no 6º escalão e tenho mais de uma década que o colega. Tem tido azar pelas escolas por onde passa. Por aqui à exceção de colegas com problemas de saúde, todos trabalhamos quase o mesmo. Uns mais, outros menos, como em todas as profissões, mas a carga horária é igual para todos. Há os que têm menos turmas, mas isso tb depende da carga horária de cada disciplina( infelizmente). Concordo com algumas coisa no seu discurso, mas a parte nunca foi o todo. Os colegas dos últimos escalões por aqui têm tb mesma carga horária, mas são, por vezes, poupados com turmas menos más. Está certo ou errado? Pois, não sei. Mas certamente um dia saberei responder-lhe. Muito haveria para dizer, mas as injustiças continuam, a começar pelo facto de quem tem duas turmas e quem tem 10 e mais continuar a ter exatamente o mesmo tempo efetivo de trabalho em casa. Ah! … Aprecio particularmente a reposição dos escalões ( ironia). Até preferia estar ainda no escalão a baixo… Caricato. Ganhava mais e não tinha que andar de escola em escola a avaliar colegas sem receber um tostão. Deram cabo da carreira docente com as sucessivas políticas e tudo isto em nome da paixão pela Educação. Num futuro muito breve, onde irão buscar professores?? O colega e eu ainda aqui andaremos. Deveria haver mais união nesta profissão. Continua cada um no seu quintal.. Assim continuaremos a “plantar” a discórdia. Bem haja. Virgínia

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